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VivaTech, em Paris, marca volta de grandes feiras internacionais com público presencial

17/06/2021 12h39

Com o avanço da vacinação contra a Covid-19 e o recuo dos números da doença na Europa, uma das maiores feiras de tecnologia do mundo, a VivaTech, abre as portas com a presença de público, em Paris. O evento ocorre sob rígidas normas sanitárias e poderá receber até 5 mil pessoas por dia, até sábado (19).

Lúcia Müzell, da RFI

"Faz muito bem estar aqui, porque faz mais de um ano que trabalhamos com este robô e ainda não tínhamos podido exibi-lo ao público", comemora o engenheiro de robótica Paulo Cornec, da Intuitive Robots, enquanto realizava uma demonstração com um robô multifunções da Boston Dynamics, na entrada do salão.

Em volta, uma dezena de pessoas acompanhava a exibição do instrumento, inspirado em um cachorro e idealizado para ir a lugares perigosos para os humanos, como zonas de minas terrestres ou centrais nucleares. "O mundo todo já viu os vídeos deste robô e hoje estamos orgulhosos de mostrá-lo 'pessoalmente' ao público, que como estamos vendo, se interessa bastante", diz Cornec.

Para entrar no Parque das Exposições de Versalhes e conferir os lançamentos dos mais de 1,1 mil expositores de diversos países, os participantes devem apresentar um certificado de vacinação ou um teste negativo de Covid-19, realizado em menos de 48 horas. O uso de máscaras é obrigatório.   

Demonstrações de produtos e contratos

Uma feira como esta é não apenas uma vitrine para o mundo, como uma oportunidade de ouro para fazer negócios. Os expositores admitem: discutir contratos à distância é possível, mas efetivar uma venda é bem mais fácil ao vivo, em especial quando envolve um teste de produto.

"Há instantes, em menos de 5 minutos, chegamos a um projeto de € 150 mil. Não conseguimos vender isso virtualmente, porque o nosso produto depende do impacto das emoções, é uma experiência sensorial", diz Christian Darvogne, sócio da KPMG, em seu stand de realidade virtual aplicada aos recursos humanos. Na sua área, sublinha, "o presencial é realmente indispensável". "Eu posso mostrar tudo para você em um slide - que você terá a impressão de já ter visto 50 mil vezes na vida. Mas se você experimentar, vai entender por que é interessante e será conquistada em 5 minutos", garante.

Covid acelerou migração para tecnologias, mas não dispensa presencial

Alexandre Rakoto, um dos fundadores da Fosfor, não escondia a felicidade por poder realizar as demonstrações de uma caixa holográfica em 3D fabricada pela marca, capaz de "holoportar" o usuário para qualquer lugar do planeta. "É simplesmente magnífico! Tem a emoção da paixão e estar aqui representa o renascimento da nossa atividade. Nós precisamos dos eventos para sobreviver: a gente só acredita naquilo que vê", assinala.

Mas o empreendedor também reconhece que, no seu setor de realidade virtual, o distanciamento imposto pela pandemia de coronavírus acelerou a disseminação do conceito de "figital" - a presença física e digital das pessoas. "Há um ano e meio, ninguém conhecia direito o figital. A Covid-19 nos mostrou como o nosso produto se integra a esse modo de vida, que foi repensado pela pandemia", comenta.

A VivaTech, a maior feira de tecnologia da Europa, teve de ser adiada no ano passado por causa da pandemia. Desta vez, a megaconferência acontece de forma híbrida, com conteúdos exclusivamente on-line e apresentações presenciais. Por conta das restrições de viagens pelo mundo, a expectativa é receber um público majoritariamente francês, ao contrário das edições anteriores.

Depois de ser aberto pessoalmente pelo presidente francês, Emmanuel Macron, na quarta-feira (16), o evento vai contar com a participação virtual de nomes de peso do setor, como Mark Zuckerberg, do Facebook, e Tim Cook, da Apple.