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França: ameaça de abstenção recorde e avanço da extrema direita marcam eleições regionais

20/06/2021 07h45

Os franceses vão às urnas nesse domingo (20) no primeiro turno das eleições regionais e departamentais. Os pleitos, que foram adiados por três meses devido à pandemia de Covid-19, podem favorecer coligações de extrema-direita.

Os franceses vão às urnas nesse domingo (20) no primeiro turno das eleições regionais e departamentais. Os pleitos, que foram adiados por três meses devido à pandemia de Covid-19, podem favorecer coligações de extrema-direita.

As seções de votação abriram às 8 da manhã em Paris (4h em Brasília) para receber os 48 milhões de eleitores franceses. Eles devem eleger por seis anos os conselhos de 13 regiões da França metropolitana e dois territórios ultramarinos, além dos representantes de 92 departamentos.

Os eleitos serão responsáveis por temas diretamente relacionados ao cotidiano dos cidadãos, como transportes públicos, escolas ou organização do território, mas a votação não mobiliza o eleitorado. Em 2015, as eleições territoriais tiveram 51% de abstenção. Este ano, as previsões são de 60%, segundo diferentes institutos de pesquisa.

As eleições regionais também servem como termômetro para as eleições presidenciais de 2022. O partido de extrema direita Reunião Nacional (RN), da ex-candidata a presidente, Marine Le Pen, pode beneficiar da abstenção e já é tido como favorito em regiões importantes como o leste da França, uma das mais atingidas pela pandemia de Covid-19, e Provence-Alpes-Côte d'Azur.

De acordo com muitas pesquisas, o RN lidera o primeiro turno em seis regiões e está bem posicionado para conquistar territórios como Provença-Alpes-Côte d'Azur, que inclui as cidades de Nice e Marselha, no sudeste. Para 51% dos franceses, uma vitória deste partido nas eleições regionais não seria "um perigo para a democracia".

Partido de Macron está em desvantagem

O partido do presidente Emmanuel Macron, A República em marcha (LRM), novo e sem bases fortes nos territórios franceses, está em situação desfavorável.

"Quanto maior é a abstenção, proporcionalmente aos votos, mais as ofertas extremas no espectro político tendem a ganhar", diz o cientista político da Sorbonne Pierre Lefébure. "Sobretudo o RN com um eleitorado muito motivado e aquecido por um material de campanha que destaca a foto de Marine Le Pen a um ano da presidencial", acrescenta.

A extrema-direita tem como rivais uma esquerda fragmentada, sem lideranças desde 2017, e uma direita dividida em relação ao apoio ao partido de Le Pen. Neste contexto e pela primeira vez, a extrema-direita tem condições de ganhar várias regiões francesas.

Mas, apesar do avanço, de acordo com as pesquisas, Le Pen estaria muito atrás de Macron no segundo turno da eleição presidencial de 2022.

Direita e esquerda em crise

A campanha expôs as profundas fraturas do partido de direita Os Republicanos, que detém a maioria das regiões.

Certos candidatos optaram por aliar-se ao partido presidencial de centro, como Renaud Muselier em Provença-Alpes-Côte d'Azur (sudeste), enquanto alguns líderes do movimento, como Guillaume Peltier, mostram abertamente alguma proximidade ideológica com o RN.

Uma lacuna política que complica a tarefa da direita, que espera manter suas regiões e se relançar diante das eleições presidenciais.

 Do outro lado do espectro político, a esquerda está dividida entre ambientalistas, socialistas e Insubmissos (partido de esquerda radical). "A esquerda não está em uma posição forte. Está pagando por não ter se recomposto desde 2017, não há liderança na esquerda", diz Lagier.

Em 2015, direita e esquerda dividiram as regiões, mas 15 meses depois, nas eleições presidenciais, não se classificaram para o segundo turno.

Com informações da AFP