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Panda gigante dá à luz dois filhotes em zoológico na França

02/08/2021 06h14

O nascimento de dois filhotes de panda gigante no zoológico de Beauval, na região parisiense, é destaque no site do jornal Le Parisien desta segunda-feira (2). O jornal acompanhou os bastidores do nascimento das pandinhas, duas fêmeas que pesam, respectivamente, 129g e 149g e estão em boa saúde. Em seguida, o diário entrevista um especialista que explica por que os pandas fascinam tanto os seres humanos. 

O nascimento de dois filhotes de panda gigante no zoológico de Beauval, na região parisiense, é destaque no site do jornal Le Parisien desta segunda-feira (2). O jornal acompanhou os bastidores do nascimento das pandinhas, duas fêmeas que pesam, respectivamente, 129g e 149g e estão em boa saúde. Em seguida, o diário entrevista um especialista que explica por que os pandas fascinam tanto os seres humanos. 

Le Parisien descreve o grande acontecimento passo a passo: "Nove horas e vinte pares de olhos examinaram o evento iminente. Foi com um grito estridente e contínuo que a vida irrompeu à 01h03 desta segunda-feira (2), no final do 'corredor dos pandas' do zoológico de Beauval. Huan Huan, a fêmea emblemática do zoológico, deu à luz dois bebês. Em um flash, a mãe levou os dois corpos minúsculos à boca, aquecendo-os com sua respiração, então sob o pelo de suas patas, na frente de humanos emocionados".

A imagem das patas frágeis se contorcendo perto da mandíbula poderosa de sua mãe marcou o fim de uma espera incrível, que começou na noite de quinta-feira (29) da semana passada.

Segundo o jornal, Huan Huan havia caído em profunda letargia ao se aproximar do parto. Mesmo o bambu de primeira qualidade, que ela normalmente engole 20 quilos todos os dias, não despertava mais seu interesse. De lado ou de costas, a estrela peluda cochilava em seu 'camarim', longe dos visitantes, mas filmada 24 horas por dia por uma equipe atenciosa.

Torcida vibra emocionada

Às 16h45 de domingo (1), a tão esperada informação finalmente chega. A mamãe panda parou de olhar para o chão de ladrilhos. "Ela está tendo contrações!", "A bolsa estourou!". As imagens a mostram sentada em um canto, ofegante, com as patas abertas. Ela se coça, se lambe, bate os dentes de dor. O desconforto a faz girar em círculos. Veterinários, gerentes, biólogos assistem às cenas por vídeo. Parecem torcedores em dia de final. Dois cuidadores chineses, despachados especialmente para a ocasião, ocupam um assento na primeira fila da torcida.

A enorme bola de pelos se enrola. Ela parece uma enorme bola de lã preta e bege. Logo a grande pata preta agarra as barras verdes macias. Suas garras lembram sua força, proporcional aos seus 100 kg.

Tudo é excepcional na reprodução de pandas, esta espécie com sexualidade preguiçosa, e muitas vezes malsucedida. Após a inseminação, realizada no dia 20 de março, os cuidadores esperaram três meses antes de terem esperança de um parto. "Colocamos muito esforço nisso", declarou Lucie, uma das veterinárias encarregadas dos ultrassons. "Vimos os bebês se mexerem, agora queremos vê-los aqui fora!", disse ao jornal francês.

As emoções percorrem a sala onde tudo é acompanhado por imagens. A empolgação, a ansiedade, a alegria de estar ali, depois o tédio da longa espera, enquanto o zoológico mergulha na noite. Quando ninguém esperava, à 1h03 da madrugada de domingo para segunda, uma mancha rosa aparece na tela, subindo sobre o pelo escuro de Huan Huan. A equipe se empolga.

Natureza versus zoológico

No ambiente natural, apenas um dos dois recém-nascidos sobrevive, com a mãe cuidando apenas do mais forte. No zoológico, os tratadores planejaram duas incubadoras, para manter os futuros mascotes aquecidos, alternando-se com a mãe. Resta aos veterinários chineses remover rapidamente as gêmeas da atenção ciumenta de sua mãe, enquanto lhes dão os primeiros socorros.

Durante seis meses, os bebês ficarão sob a supervisão constante dos cuidadores. Os primeiros dez dias parecem ser cruciais. "Eles serão frágeis, imunocomprometidos, muito mais do que outras espécies", observa a veterinária Lucie. Se as girafas correm logo após a queda de dois metros quando toma seu lugar de vida, os pandas são frágeis, doentes, cegos e nus, incapazes de se mover.

Por volta das 4h da manhã desta segunda-feira, Huan Huan amanhece amamentando suas gêmeas, com um assistente do zoológico, que alisa seu pelo e fala com ela em chinês. Em 2017, quando deu à luz pela primeira vez, ela era bastante desajeitada. Agora, Huan Huan tem os reflexos de uma boa mãe, dizem os funcionários do zoológico.

Por que os amamos tanto?

Le Parisien traz outra matéria que explica por que os pandas nos fascinam tanto. Os filhotes de panda são rosa, têm poucos pelos, são cegos e surdos. Medem entre 11 e 17 cm e pesam entre 80 e 200 gramas.

Feios de nascença, insociáveis, os pandas gigantes estiveram uma estranha evolução e talvez seja por isso que os amemos também. Enquanto o zoológico de Beauval acaba de vivenciar o nascimento de dois filhotinhos, Jean-Philippe Varin, especialista em ursídeos, decifra nosso apego a este estranho animal.

Segundo o especialista em ursos, o panda gigante causa tanta simpatia e fofura "primeiro, porque é um urso, e o urso, em nossa imaginação, é um animal lendário, assim como a águia, o leão ou o lobo. Todos esses animais permaneceram muito presentes em nossa memória coletiva, pois nos remetem às origens. Não é tão antigo o tempo em que o homo sapiens encontrou o urso nas cavernas e teve que chegar a um acordo com ele. Ele permaneceu um ajudante mítico".

Sobre o panda ser ou não ser urso, o especialista confirma: "O panda é precisamente a quintessência do bom urso, este simpático urso de silhueta algo desajeitada, mas tão cativante e fofinho como gostamos de o imaginar na forma destes brinquedos que oferecemos às crianças. Além do rosto bom, o panda tem óculos, é bicolor, preto e branco, um pouco com cara de maquiagem. Esse rosto fofo é exatamente o que fez com que o WWF, o fundo mundial para a natureza, o escolhesse como seu emblema".

Varin conta também que, como todos os ursos, o panda gigante é antes de tudo um solitário que não gosta de ser incomodado, não é nada sociável e, como acontece com o urso, não conseguimos realmente nos comunicar com ele: não tem pelos que se eriçam, nem pequenos grunhidos, nem bigodes que se retorcem, e seus acoplamentos mais parecem uma luta do que qualquer outra coisa.

Além disso, acrescenta, ao nascer, é superfrágil e muito feio, sendo um ramo dos ursídeos que se perdeu em sua evolução. "Entre os pandas, temos os pandas vermelhos, que vagam pelas árvores em busca de comida e permaneceram onívoros. Galhos, raízes, cogumelos, pequenos roedores, podem engolir tudo se for preciso, enquanto o panda gigante se especializou completamente, tornando-se apenas vegetariano. Ele come apenas bambu e, ainda assim, apenas uma variedade específica, o que os torna muito vulneráveis", diz o especialista.

Midiatização e aumento de visitas

Delphine Delord, vice-diretora de Beauval, já imagina os recém-nascidos "daqui a dois ou três meses: duas bolas de pelo brincando juntas". Enquanto isso, o setor de comunicação do zoológico preparava um anúncio gigante: uma chuva de mensagens nas redes sociais, com sua cota de imagens fofas.

Uma jogada de mestre na arte de criar espécies em cativeiro, este nascimento também é um grande destaque para a empresa Beauval. A chegada hipermidiatizada da panda gigante Huan Huan e seu companheiro Yuan Zi ao zoológico em 2012 fez o público saltar de 700 mil para mais de 1 milhão de visitantes em uma temporada. Nove anos depois, tendo passado pelo nascimento do primeiro bebê do casal, Yuan Meng, em 4 de agosto de 2017, que foi batizado pela primeira dama Brigitte Macron, a mania dos pandas fofinhos continua inabalável em 2021.