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Presidente turco compara incêndios no sul do país à pandemia da covid-19

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, comparou os incêndios no país com a covid-19 - Adem Altan/AFP
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, comparou os incêndios no país com a covid-19 Imagem: Adem Altan/AFP

Fernanda Castelhani

Da RFI, em Istambul

05/08/2021 09h25Atualizada em 05/08/2021 10h18

Depois de sofrer críticas na condução dos incêndios florestais que já duram nove dias, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que o fogo que atinge as matas do sul do país é uma ameaça internacional, assim como a covid-19, e que precisa ser combatido em conjunto.

A Turquia tem no momento pelo menos 15 pontos de incêndios, sendo alguns deles já sob controle. Ao todo o país somou 187 focos desde quarta-feira da semana passada (28). Oito pessoas morreram vítimas dos incêndios. Três ministros acompanham agora o trabalho no sudoeste da Turquia, tanto na província de Mugla, quanto de Antália, ambas geralmente bem populosas nesta época do ano por causa das férias de verão.

Milhares de residentes e turistas tiveram que deixar suas casas ou sair dos resorts em barcos ou comboio de carros e caminhões naquelas regiões. Dezesseis aviões, um helicóptero, nove veículos aéreos e mais de 5 mil pessoas lutam agora contra as chamas, quando a Turquia recebe suporte de seis países — Irã, Azerbaijão, Ucrânia, Rússia, Espanha e Croácia.

A causa dos incêndios ainda é desconhecida e continua sendo investigada. Mesmo a possibilidade de terrorismo está sendo considerada. Um jovem chegou a ser preso por suspeita de conexão com grupos curdos. Mas, por enquanto, os especialistas atribuem os focos às mudanças climáticas, uma vez que as queimadas no país estão mais intensas do que o previsto para esta época do ano.

Entre 2008 e 2020, houve, por exemplo, 40 queimadas florestais em média por ano, enquanto 2021 já acumula mais de 130 episódios de destruição pelo fogo. A temperatura tem ultrapassado os 40 graus na Turquia e em países vizinhos, o que deve aumentar o risco de queimadas florestais no sul da Europa, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), que se prepara para lançar um relatório sobre o tema nos próximos dias.

Resistência à ajuda

Os partidos de oposição acusam o governo de não adquirir aviões de combate a incêndios e, em vez disso, investir em projetos de construção que consideram prejudiciais ao meio ambiente e de recusar a ajuda de nações ocidentais.

A União Europeia afirma que a Turquia solicitou ajuda somente no domingo (1ª). França e Grécia colocaram aviões à disposição, mas foram forçados a recuar devido a incêndios locais. E a embaixada de Israel também declarou ter oferecido suporte, mas as autoridades turcas teriam respondido que a situação estaria sob controle.

O presidente turco fez um pronunciamento nesta quarta-feira (5) em que afirmou que o terror da oposição está soprando na Turquia. Ele declarou que "é preciso saber que não há precedentes de um incêndio como esse, e que a condução está sendo feita de forma correta".

Ele aproveitou para alfinetar o principal partido oponente, o CHP, dizendo que não opera sob a mentalidade deles, mas, sim, "sob um processo construído há 19 anos" — tempo em que Erdogan está no poder.

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