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Vacinas intranasais podem ser esperança para limitar a transmissão da covid

Vacina intranasal pode ser usada no combate ao coronavírus - Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo
Vacina intranasal pode ser usada no combate ao coronavírus Imagem: Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo

17/09/2021 15h26

Substituir a agulha da vacina por uma aplicação nasal: e se essa for a solução para vencer resistências e erradicar a Covid-19? Por atuar no local inicial da infecção, vários testes com esse dispositivo se mostram promissores contra a doença e sua transmissão em animais, embora ainda não tenham sido confirmados em humanos.

Substituir a agulha da vacina por uma aplicação nasal: e se essa for a solução para vencer resistências e erradicar a Covid-19? Por atuar no local inicial da infecção, vários testes com esse dispositivo se mostram promissores contra a doença e sua transmissão em animais, embora ainda não tenham sido confirmados em humanos.

No início de setembro, o Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica da França (Inrae) e a Universidade francesa de Tours, registraram a patente de uma candidata a vacina por via nasal, após resultados promissores em animais.

De acordo com a chefe da equipe de pesquisa da empresa BioMAP, Isabelle Dimier-Poisson, os testes mostraram "100% de sobrevivência" em camundongos vacinados e depois infectados com Covid-19, contra "100% de mortalidade" em não-vacinados.

"Os animais vacinados estão 100% protegidos contra as formas sintomáticas e principalmente contra as formas graves do vírus. E os vacinados têm muito pouco vírus, por isso não são mais contagiosos. Essa é uma das vantagens da via nasal", sublinhou também Philippe Mauguin ,CEO da Inrae.

Duas camadas adicionais de proteção

Como explicar esses resultados encorajadores? Em um artigo de julho na revista científica Science, os pesquisadores Frances Lund e Troy Randall lembram que, em comparação com as vacinas intramusculares, os imunizantes intranasais oferecem duas camadas adicionais de proteção.

O primeiro deles é o IgA, um tipo de anticorpo que desempenha um papel crucial na função imunológica das membranas mucosas. A segunda é a criação de células B e T, que possuem "memória" e residem nas membranas mucosas respiratórias, formando uma barreira contra infecções nessas áreas.

"Quando o vírus infecta uma pessoa, geralmente ele entra pelo nariz, e a ideia é fechar essa porta da frente", decifra Nathalie Mielcarek, diretora de pesquisas do Inserm, à frente de uma equipe do Institut Pasteur de Lille (norte), que trabalha em uma vacina nasal contra a coqueluche.

"Com as vacinas intramusculares, conseguimos induzir uma resposta imune nas mucosas, mas não muito longa e não muito forte, então é mais interessante imunizar no nível nasal", acrescenta Morgane Bomsel, imunologista, diretora de pesquisas do CNRS, o Centro Nacional de Pesquisa Científica da França.

"Como um reforço"

Diante da Covid-19, as vacinas atualmente no mercado oferecem forte proteção contra casos graves da doença, mas menos proteção contra o risco de transmissão.

Ao vacinar pelo nariz, a ideia é lutar contra o vírus mas também contra a sua propagação. "Temos menos vírus que subsequentemente infectam os pulmões, portanto, menos formas graves, já que a carga viral é menor, e também menos risco de transmissão para outras pessoas que possamos cruzar", explica Nathalie Mielcarek.

Mas essas vacinas intranasais permanecem, em sua maioria, ainda sem avaliação em humanos, mesmo que uma delas já tenha sido usada nos Estados Unidos contra a gripe sazonal.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), oito vacinas nasais estão em avaliação clínica, ou seja, em testes em humanos, sendo a mais avançada a desenvolvida por um grupo de universidades e uma empresa chinesa. Várias dezenas de vacinas também estão em estágios pré-clínicos.

Na França, o Institut Pasteur, associado à empresa de biotecnologia Theravectys após o surgimento da Covid-19, desenvolveu rapidamente uma vacina que codifica o antígeno Spike, a proteína que permite que o SARS-CoV 2 entre nas células. "Tentamos várias vias de administração e constatamos, em ensaios pré-clínicos, que quando a injeção era por via nasal, tínhamos a erradicação completa do vírus em animais", observa Laleh Majlessi, diretor de pesquisas do laboratório.

Outra vantagem dessa injeção pelo nariz: ela protege contra a propagação do vírus no cérebro. Por fim, seria eficaz mesmo contra as variantes geneticamente mais distantes do SARS-CoV 2 (como beta, gama, delta etc), segundo Laleh Majlessi. Ainda assim, os laboratórios precisam de financiamento para avançar em suas pesquisas com essas vacinas.

Se nos países ricos a maioria da população já recebeu vacinas de primeira geração, os pesquisadores destacam o valor de um reforço com essas injeções nasais.

"Podemos constatar que a imunidade induzida pelas primeiras vacinas não dura, pretendemos oferecer a nossa como um reforço", avança Laleh Majlessi. Por possibilitarem a redução da transmissão do vírus, "isso poderia permitir um retorno à vida antes da pandemia, sem gestos de distanciamento social, e sem máscaras", acredita ainda Isabelle Dimier-Poisson.

Com informações da AFP

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