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Presidente do Conselho da UE acusa EUA de 'falta de lealdade' após ruptura de contrato com a França

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel - Guillaume Horcajuelo/Pool via Reuters
O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel Imagem: Guillaume Horcajuelo/Pool via Reuters

20/09/2021 16h58

O presidente do Conselho da União Europeia, Charles Michel, acusou nesta segunda-feira (20) os Estados Unidos de falta de lealdade depois que a Austrália cancelou um amplo contrato com a França para comprar submarinos de propulsão nuclear americanos.

"Os princípios mais elementares para os aliados são transparência e confiança e estes andam juntos. Estamos vendo uma clara falta de transparência e lealdade", disse Michel à imprensa nas Nações Unidas, antes da Assembleia Geral da organização.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse que o governo americano e o francês estão em contato para organizar a conversa, por telefone, que o presidente Joe Biden pediu ao chefe de Estado francês, Emmannuel Macron. Segundo Psaki, Biden aproveitará para lembrar o "compromisso com um dos nossos parceiros mais antigos e próximos sobre uma série de desafios que são enfrentados pela comunidade internacional." Biden estaria "impaciente" para conversar com Macron, segundo um responsável americano que pediu para não se identificar.

Mais cedo, a ministra belga das Relações Exteriores, Sophie Wilmès, disse que a aliança militar entre os Estados Unidos, a Austrália e o Reino Unido contra a França é um "choque." De acordo com ela, "é um choque não só para a França, mas para Europa e também para a geoestratégia em nível mundial", declarou durante um encontro com alguns jornalistas na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde o assunto está em todas as rodas de discussão.

A Europa, disse deve estar "presente na cena internacional" para defender seus interesses estratégicos, principalmente em relação à China", acrescentou. Ela espera que, na noite desta segunda-feira (20), os ministros das Relações Exteriores europeus cheguem a um consenso sobre uma "declaração comum."

Segundo fontes diplomáticas, a França não pedirá um posicionamento comum da União Europeia. Ela pretende expor sua posição e lançar um debate sobre a definição da estratégia europeia na região. A crise diplomática atual, é um novo alerta "sobre a necessidade de se organizar melhor para agirmos juntos", disse Wilmès, enfatizando a autonomia estratégica europeia.

Crise internacional

O governo da Austrália rejeitou, neste domingo (19), as acusações da França de que mentiu sobre seus planos de cancelar um contrato de compra de submarinos franceses em favor de navios americanos.

Estados Unidos, Austrália e Reino Unido anunciaram na última quarta-feira (15) uma associação estratégica para contra-atacar a China, chamada AUKUS, que inclui o fornecimento de submarinos nucleares americanos a Canberra, o que deixou os franceses fora do jogo.

Macron pedirá a Biden "um esclarecimento" e "explicações" sobre o que "parece ser uma grande quebra de confiança", afirmou o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, ao canal BFMTV. A França está furiosa com a decisão da Austrália de se retirar de um acordo de US$ 50 bilhões para a compra dos submarinos.

Paris convocou, na sexta-feira, seus embaixadores nos Estados Unidos e Austrália para consultas, acusando este último país de "mentir" sobre a ruptura do contrato, uma decisão sem precedentes entre aliados.

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