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Paris exibe fotos dos anos 1920-1930 do Moma de Nova York

25/09/2021 12h48

O público parisiente tem uma oportunidade única para mergulhar em alguns dos tesouros fotográficos do acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York, o Moma. O espaço Jeu de Paume, na praça da Concórdia, está exibindo parte da chamada coleção Thomas Walther, comprada pela instituição americana em duas etapas, em 2001 e em 2017.

O público parisiente tem uma oportunidade única para mergulhar em alguns dos tesouros fotográficos do acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York, o Moma. O espaço Jeu de Paume, na praça da Concórdia, está exibindo parte da chamada coleção Thomas Walther, comprada pela instituição americana em duas etapas, em 2001 e em 2017.

Por Patricia Moribe

O alemão Thomas Walther começou a colecionar nos anos 1970 imagens de um período muito especial da história da fotografia - o período entre as duas grandes guerras mundiais, em especial as décadas de 1920 e 1930. "Ele próprio era fotógrafo, mas logo viu que não teria uma carreira como tal pela frente. Com o dinheiro da família, ele começou a comprar fotos antigas, numa época em que os preços não eram tão altos como hoje. Então, com um pouco de dinheiro e muito talento e bom olho, ele construiu uma das coleções mais importantes sobre esse período", conta Quentin Bajac, um dos curadores da exposição e diretor do Jeu de Paume.

A fotografia já existia há um século, mas no começo serviu sobretudo como documentação iconográfica. É o que se pode ver em outra exposição, muito perto do Jeu de Paume, que é a "História das Fotografias", no Museu de Artes Decorativas, prédio incrustrado no Museu do Louvre. Mas é a partir dos anos 1920 que ela vai conquistando outros espaços. É a época das vanguardas no mundo das artes, com quebra de paradigmas da arte representativa. E a fotografia se revelou, concretamente, em um dos meios de expressão mais explorados e flexíveis para os artistas.

"Após a Primeira Grande Guerra, nos anos 1920, a impressão é de que a fotografia renasce. De repente ela vira sinônimo de modernidade, pois ela é mecânica, é rápida, eficaz, fiel à realidade. Ela pode ser uma arte democrática, ao alcance de todos, e não só para os que passaram pelas escolas de Belas Artes. Ela também foi impulsionada pelo cinema, que estava nascendo no momento. Outras alavancas foi a imprensa, com as revistas e a publicidade. Muitos dos fotógrafos expostos eram publicados por revistas em seus países.

Bauhaus, um marco

A coleção Walther traz a Paris 230 fotos principalmente de artistas experimentais europeus, como o russo Alexander Rodtchenko. Outro destaque presente na coleção vai para a mítica escola Bauhaus. "Trata-se de uma escola artística muito importante na época, que vai concentrar grandes talentos de todas as áreas; é a vanguarda não so no estilo, mas também no ensino", explica Ève Lepaon, conferencista do Jeu de Paume. "O prédio da escola tem fachadas de vidro, que deixam a luz inundar os ateliês. Os alunos aproveitam todos os ângulos, perspectivas e pontos de vistas geométricos; as imagens traduzem a fascinação na época pelo movimento", acrescenta.

O aspecto urbano das grandes cidades oferece o cenário perfeito para os fotógrafos da época, lembra o curador Quentin Bajac: "Os fotógrafos aproveitam ao máximo as possibilidades visuais da arquitetura moderna. Os primeiros arranha-céus de Nova York e Chicago permitem pontos de vistas de alturas elevadas. Os russos, os alemães, passeiam pelas cidades e exploram arquitetura de ferro, de vidro, de transparências".

A exposição "Obras primas do Moma: coleção Thomas Walther" fica em cartaz até o dia 13 de fevereiro de 2022, no Jeu de Paume, em Paris.