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Alemães votam em eleições legislativas de resultado indefinido para futura coalizão de governo

26/09/2021 05h48

As seções eleitorais abriram na manhã deste domingo (26) na Alemanha para as eleições legislativas históricas que encerram 16 anos de governo da chanceler Angela Merkel. Ela não concorre desta vez. Os sociais-democratas do SPD lideram a corrida, mas nos últimos dias os conservadores da CDU-CSU reduziram a diferença. De acordo com as projeções, a participação deve ser elevada, de até 80% dos eleitores, mas 40% estavam indecisos, o que acrescenta uma dose de suspense aos resultados. 

As seções eleitorais abriram na manhã deste domingo (26) na Alemanha para as eleições legislativas históricas que encerram 16 anos de governo da chanceler Angela Merkel. Ela não concorre desta vez. Os sociais-democratas do SPD lideram a corrida, mas nos últimos dias os conservadores da CDU-CSU reduziram a diferença. De acordo com as projeções, a participação deve ser elevada, de até 80% dos eleitores, mas 40% estavam indecisos, o que acrescenta uma dose de suspense aos resultados. 

Cerca de 60,4 milhões de eleitores têm até as 18h no horário local, 13h em Brasília, para eleger seus deputados no Parlamento alemão, o Bundestag. Estas eleições pós-pandemia são marcadas por circunstâncias que aumentam a indefinição. O voto por correspondência, há muitos anos autorizado no país, começou em agosto e a metade dos eleitores pode ter optado por esse meio de sufrágio, como fez a própria chanceler Angela Merkel. Este fator, entre outros, tende a retardar uma visão clara dos resultados. 

Segundo o sistema eleitoral alemão, a metade dos deputados do Parlamento, o Bundestag, são eleitos diretamente por maioria de votos em cada distrito, o que totaliza 299 cadeiras. Mas a outra parte é eleita por representação proporcional a partir de listas elaboradas pelos partidos em cada um dos 16 estados alemães. Com isso, o número exato de representantes do Bundestag só é conhecido após a apuração completa dos votos.

Os sociais-democratas liderados pelo atual ministro das Finanças, Olaf Scholz, estão ligeiramente à frente nas sondagens, com 25% de intenções de voto, enquanto os conservadores, representados por Armin Laschet - candidato apoiado por Merkel -, têm de 22% a 23%, uma pontuação historicamente baixa. A diferença é, portanto, muito pequena entre a centro-esquerda e a centro-direita da chanceler para estabelecer um prognóstico. A maior parte dos analistas estima que as negociações para a formação da nova coalizão de governo levarão tempo, devido à fragmentação do eleitorado. 

Longa espera

A publicação das primeiras estimativas de boca de urna, logo após o fechamento das seções eleitorais às 13h de Brasília, não irá necessariamente indicar o jogo de forças entre os partidos, a menos que as pesquisas tenham falhado em avaliar as expectativas dos eleitores. O nome do futuro chanceler e a composição de sua provável maioria correm o risco de não serem conhecidos na noite de domingo.

Aconteça o que acontecer nos próximos meses, serão necessárias longas negociações para formar a futura equipe no poder, sob pena de levar à paralisia da União Europeia até ao primeiro trimestre de 2022. Merkel, que está se preparando para se aposentar da política, pode ter que ficar no comando até o final do ano para cuidar da gestão da maior economia do bloco.

Para seu último comício enquanto chanceler, Merkel, que não preparou sua sucessão, não poupou elogios a seu protegido. "O mundo está mudando muito rapidamente e, portanto, Armin Laschet ainda tem muito trabalho a fazer como chanceler federal", disse ela durante o ato de encerramento da campanha do conservador, no sábado (25), em Aachen. O adversário Sholtz falou à militância do SPD em Potsdam, perto de Berlim. 

Apesar da importância das questões climáticas, e do trauma do país atingido por enchentes mortais em julho, a causa ambiental não avançou tanto quanto os Verdes esperavam. A candidata dos Verdes, Annalena Baerbock, obteria 17% dos votos, ficando em terceiro lugar, à frente do liberal FDP, com 11%. A esquerda radical Die Linke parece estar pronta para participar de uma eventual coalizão de esquerda, mas terá primeiro que desistir de suas críticas à OTAN. O partido de extrema direita AfD, que entrou no Bundestag pela primeira vez há quatro anos, deve confirmar sua presença no Parlamento com cerca de 10%, mas continua excluído de qualquer coalizão possível.

Com informações da AFP