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Ameaçado de sequestro, premiê da Holanda tem segurança reforçada

28/09/2021 07h09

O primeiro ministro da Holanda Mark Rutte teve a segurança reforçada após sérias evidências de que a rotina dele estava sendo observada. As máfias ligadas ao crime organizado estariam por trás das ameaças de ataque e sequestro.

O primeiro ministro da Holanda Mark Rutte teve a segurança reforçada após sérias evidências de que a rotina dele estava sendo observada. As máfias ligadas ao crime organizado estariam por trás das ameaças de ataque e sequestro.

Clivia Caracciolo, correspondente da RFI 

De acordo com a notícia, foram detectados observadores que estiveram estudando a rotina diária de Rutte nos últimos tempos. Depois, seguindo um trajeto já conhecido pela polícia, um assassino de aluguel entraria em ação para cumprir a empreitada criminosa, não se sabe quando.

"Estes passos são traçados quando se trata de um crime encomendado e se repetiram nos últimos assassinatos com evidências de terem sido tarefa de máfias", segundo a polícia.

A segurança de Mark Rutte foi reforçada e ele já está sendo protegido por uma equipe de segurança altamente qualificada, treinada para proteger os membros da família real e diplomatas do mundo inteiro servindo na Holanda.

O Ministério Público, que é responsável por investigar a ameaça, não fez nenhum comentário a respeito, assim como o Serviço de Informação Nacional e a Coordenação Nacional para a Segurança e Combate ao Terrorismo, que foram lacônicos e se limitaram a declarar que as medidas de segurança e vigilância são assuntos confidenciais.

Táticas de desestabilização

Segundo os analistas especializados em crime organizado, a ameaça e a possível consumação são táticas usadas pelas máfias de narcotráfico para intimidar, disseminar o medo e desestabilizar a sociedade, "além de tentar, desta maneira, assegurar a liderança no circuito de rivalidade com outras quadrilhas. Um possível sequestro do premiê holandês causaria todos estes efeitos juntos."

A Holanda ainda está se refazendo de três assassinatos de pessoas ligadas à testemunha-chave e ex-chefe de quadrilha, Nabil B., que está preso. Em julho passado, o jornalista policial Peter R de Vries foi assassinado. Ele era um espécie de conselheiro de Nabil B. e ajudava os advogados de defesa do caso.

Ano passado o advogado de Nabil B., Derk Wierssum, foi executado na esqina de sua casa. Em 2018 mataram o irmão de Nabil B.

Ainda em 2018, a sede do jornal De Telegraaf, o mesmo que publicou a matéria sobre a ameaça contra Rutte, foi atingido por uma van e carregada de explosivos. Muitos jornalistas afirmam que o jornal foi alvo de ataques por causa das reportagens publicadas envolvendo integrantes do crime organizado, na Holanda.

Mudança de rotina

Tudo mudará na rotina de Mark Rutte a partir desta revelação sobre sua segurança. O primeiro-ministro faz a linha de político informal e se mantém próximo ao eleitorado, vai de bicicleta para o trabalho, faz suas compras no supermercado, tira selfie com fãs no meio da rua, contudo com esta ameaça, seus movimentos passarão a ser cerceados.

Rutte já tinha segurança antes, mas agora a presença dos agentes da polícia de choque é vísivel, como já acontece para a proteção de autoridades de vários setores, como da justiça criminal, de jornalistas, advogados e de políticos. Este é o caso do populista Geert Wilders, que há anos recebe proteção do Estado holandês. O discurso nacionalista do líder político (Partido da Liberdade, PVV) desagrada uma parcela da população e ele já sofreu muitos ataques e ameaças. 

Os políticos de Haia se dizem inseguros com a crescente onda de violência física e psicológica, dirigida a eles. Os parlamentares pedem mais medidas de proteção para garantir sua integridade e consideram ináceitável a ameaça a Rutte.

Na manhã em que a revelação foi feita, o primeiro-ministro, por sua vez, não parecia estar tão assustado, já que saiu de casa caminhando como sempre, comendo uma maçã e foi para o escritório discutir a formação do gabinete da Holanda, que está há mais de 9 meses sem governo.

A questão de receber e dar proteção policial do Estado é polêmica no país. Alguns pedem e não a recebem. Outros se negam a recebê-la como foi o caso do jornalista Peter R. De Vries, que não queria a proteção e foi assassinado, a queima roupa, no centro de Amsterdã, no final de uma tarde de verão.