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Para argentinos, congelamento de preços anunciado por governo não é suficiente para deter inflação

16/10/2021 10h51

O governo argentino anunciou esta semana o congelamento do preço de 1.200 produtos de necessidade básica. Para os argentinos, a medida, destinada a conter uma inflação de mais de 37% desde o começo do ano, vai no bom sentido, mais não é suficiente.  

O governo argentino anunciou esta semana o congelamento do preço de 1.200 produtos de necessidade básica. Para os argentinos, a medida, destinada a conter uma inflação de mais de 37% desde o começo do ano, vai no bom sentido, mais não é suficiente.  

Théo Conscience, correspondente da RFI em Buenos Aires

Cada vez que o operário argentino Carlos Alcorta vai ao supermercado, nunca sabe realmente quanto vai gastar. Somente no mês passado, o custo de vida na Argentina aumentou 3,5%. "De um mês ao outro, a diferença é enorme. Hoje, eu gastei muito dinheiro e volto para casa com apenas uma sacolinha", lamenta ao sair do supermercado em Buenos Aires. "E os salários não acompanham, não é possível".

Base voluntária das empresas

O acordo de congelamento de preços feitos sobre uma base voluntária de empresas, se aplica a 1.200 produtos, principalmente alimentares e de limpeza. Os preços devem voltar para o mesmo valor que estavam em 1° de outubro e serem mantidos até 7 de janeiro de 2022.  

Apesar de ver com bons olhos o congelamento de preços por três meses, Alcorta se pergunta o que vai acontecer depois. Para a aposentada Ana Gomez Chirino, esta medida deveria ser permanente. "Não é compreensível que alimentos produzidos no país como carne, leite e outros tenham preços como no exterior", reclama. "O preço para o mercado doméstico tem que ser mais acessível", diz.  

Mais de 50% de inflação em um ano

A Argentina convive há duas décadas com uma inflação crônica, e já acumulou mais de 52% nos últimos doze meses.

Após o aumento do salário mínimo e dos subsídios do estado, o congelamento de preços é mais uma da série de medidas para aumentar o poder de compra, decidias nas últimas semanas pelo governo, que se encontra atualmente em posição delicada para as eleições parciais legislativas de 14 de novembro.