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"Crise agravada pela pandemia é nosso grande adversário", diz novo presidente de Cabo Verde

18/10/2021 15h03

Mesmo se os resultados definitivos ainda não foram publicados, a apuração aponta a clara vitória nas eleições presidenciais do candidato da esquerda tradicional, José Maria Neves, já no primeiro turno, com mais de 51% dos votos. No entanto, o novo chefe de Estado vai ter que coabitar com um primeiro-ministro de centro direita e administrar um país que ainda tenta se recuperar do impacto da pandemia em sua economia. Em entrevista exclusiva à RFI, Neves fala dos desafios que tem pela frente. 

Mesmo se os resultados definitivos ainda não foram publicados, a apuração aponta a clara vitória nas eleições presidenciais do candidato da esquerda tradicional, José Maria Neves, já no primeiro turno, com mais de 51% dos votos. No entanto, o novo chefe de Estado vai ter que coabitar com um primeiro-ministro de centro direita e administrar um país que ainda tenta se recuperar do impacto da pandemia em sua economia. Em entrevista exclusiva à RFI, Neves fala dos desafios que tem pela frente. 

Os resultados ainda deverão ser validados pela comissão eleitoral e, cinco dias depois, o novo presidente assume o cargo. Porém, o chefe de Estado eleito já sabe quais serão suas prioridades. "O nosso grande adversário é a crise que se agravou agora com a pandemia e temos de trabalhar de mãos dadas", resume Neves.

Se o novo presidente fala da Covid-19 antes mesmo de assumir o cargo é porque a crise sanitária transformou a economia do país. Apesar da relativa estabilidade política, o Cabo Verde é extremamente dependente do turismo, que representa 25% de seu Produto Interno Bruto. E a Covid-19 acabou estremecendo as finanças cabo-verdianas. 

Em 2020, após anos de crescimento (5,7% e 2019 e 4,5% em 2018), Cabo Verde registrou uma queda no número de visitantes, seguida de uma recessão histórica, na casa dos 14%. A maioria dos hotéis fecharam suas portas e muitos cabo-verdianos, que atuavam no setor, perderam seus empregos. 

O presidente eleito também fala de mãos dadas pois sabe que terá que administrar um país cujo executivo é controlado pelo primeiro-ministro de centro direita, Ulisses Correia e Silva. "Serei um presidente que irá costurar pontes, entendimentos, consensos ao nível do país para unir a nação global cabo-verdiana", disse Neves. "Eu quero ser um fator positivo e pretendo, sobretudo, puxar o país para cima. A estabilidade é um recurso estratégico".

Ouça a entrevista completa clicando acima.