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França: militantes fazem greve de fome em apoio aos migrantes que tentam atravessar canal da Mancha

21/10/2021 12h47

Calais está situada no norte da França e faz fronteira com a Grã-Bretanha, do outro lado do canal da Mancha. Há 11 dias, um padre e dois militantes de associações iniciaram uma greve de fome para denunciar as condições de vida dos mais de mil migrantes instalados em barracas na saída da cidade. Eles também criticam o assédio cotidiano dos policiais e a destruição sistemática dos poucos bens dos exilados. 

Calais está situada no norte da França e faz fronteira com a Grã-Bretanha, do outro lado do canal da Mancha. Há 11 dias, um padre e dois militantes de associações iniciaram uma greve de fome para denunciar as condições de vida dos mais de mil migrantes instalados em barracas na saída da cidade. Eles também criticam o assédio cotidiano dos policiais e a destruição sistemática dos poucos bens dos exilados. 

Marie Casadebaig, enviada especial da RFI a Calais

Os três grevistas instalaram uma mesa com algumas bebidas e colchões em um canto da igreja Saint-Pierre, em Calais. "É uma antiga capela mortuária", explica o padre Philippe Demesteere.

"Estamos psicologicamente preparados. Queremos mostrar que temos energia para dar e vender para lutar pela nossa reivindicação", disse o religioso. Eles também pedem que a lei francesa que proíbe que inquilinos possam ser expulsos no inverno seja aplicada também aos migrantes ilegais. 

Em Calais e na sua periferia, os policiais realizam intervenções cotidianas para desmantelar os acampamentos. "O objetivo dessa política é não dar nenhuma trégua para os migrantes. Há, desta forma, um desgaste físico e mental, o que é inadmissível na França", denuncia.

Negociações

O padre espera que seu gesto leve a uma reflexão sobre um problema que existe há mais de 20 anos em Calais. "É importante que haja uma convenção de cidadãos para discutir essa questão dos migrantes. É um tema primordial demais para ser gerenciado apenas por políticos", diz. Ele também espera estabelecer um novo protocolo para restituir os bens que os migrantes perderam durante as operações de desmantelamento.  

O sub-prefeito de Calais encontrou-se com o padre na semana passada mas não houve avanços nas negociações. Outra reunião está prevista para esta sexta-feira (22). "Não há espaço para discussão quando alguém está morrendo de frio, debaixo da chuva e não tem comida. Não há como dizer 'a gente se encontra daqui uma semana para conversar'", declarou o padre jesuíta de 72 anos. 

Tensões com o Reino Unido

Desde o final de 2018, os migrantes tentam atravessar o Canal da Mancha para chegar à costa do Reino Unido, apesar dos avisos das autoridades sobre risco da viagem. De acordo com as autoridades marítimas francesas, este ano, cerca de 15.400 migrantes tentaram esta travessia até 31 de agosto e foram transferidos para a França. Em 2020, foram 9.500, contra 2.300 em 2019, e 600, em 2018.

Esse fenômeno gerou tensões entre França e Reino Unido. Londres acusa Paris de não fazer o suficiente para evitar este fluxo e anunciou sua intenção de devolver as embarcações para a costa francesa.

(RFI e AFP)