PUBLICIDADE
Topo

Merkel é aplaudida de pé por líderes europeus em sua última cúpula em Bruxelas

22/10/2021 14h25

Os líderes da UE se despediram nesta sexta-feira (22) da líder alemã Angela Merkel, durante um dia em que discutiram incansavelmente a questão sensível da política migratória. As cúpulas dos 27 "sem Angela são como Roma sem o Vaticano, ou Paris sem a Torre Eiffel", declarou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Os líderes da UE se despediram nesta sexta-feira (22) da líder alemã Angela Merkel, durante um dia em que discutiram incansavelmente a questão sensível da política migratória. As cúpulas dos 27 "sem Angela são como Roma sem o Vaticano, ou Paris sem a Torre Eiffel", declarou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

A chanceler participa desde quinta-feira daquela que deverá ser a sua última cúpula europeia, a 107ª desde que chegou ao poder, há 16 anos.

Os líderes europeus saudaram uma líder apresentada como uma "máquina de concessões" que ajudou a estabilizar a União Europeia em meio a muitas crises. A imagem é rara para uma cúpula europeia, mais habituada a psicodramas e conflitos do que a efusões e reconhecimentos.

"Lembro-me de algumas discussões financeiras muito difíceis no verão de 2020 e, neste momento crítico, Angela foi a pessoa, a grande lady, que entrou em cena e nos ajudou a encontrar uma solução! Apreciei muito seu trabalho e desejo a ele o melhor para o futuro", disse o presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda.

"Ela é alguém que, durante 16 anos, deixou realmente uma marca na Europa", completou o chefe de Estado.

Criticada durante a crise na zona do euro

Criticada no final dos anos 2000 durante a crise na zona do euro, Angela Merkel é saudada por sua atitude em 2015 durante a crise migratória, e em 2020 por ter aceitado compartilhar a dívida comum dos 27 estados membros da União Europeia.

"Ela é alguém que, por 16 anos, ajudou todos os 27 de nós a tomarmos boas decisões com muita humanidade, em momentos que foram difíceis ", testemunhou Alexander de Croo, o primeiro-ministro belga.

E para esta última cúpula, Angela Merkel fez jus à sua reputação, suplicando por um compromisso e mais diálogo com Varsóvia, enquanto a Polônia é acusada de virar as costas aos princípios fundadores da União Europeia. A chanceler alemã também disse estar "preocupada" na sexta-feira com o futuro da UE, julgando que seus sucessores terão um "grande trabalho" pela frente em termos de Estado de Direito, migração e economia.

"Deixo agora esta União Europeia e minha responsabilidade como chanceler, numa situação que me preocupa. Superamos muitas crises, mas temos uma série de problemas não resolvidos", concluiu Merkel.

Política migratória

Nesta sexta-feira (22), os líderes europeus se concentraram em discutir a política de migração da UE.

Os líderes, particularmente dos países do leste do bloco, acusam o governo de Belarus de usar a migração clandestina como uma arma política, permitindo a passagem de migrantes para países vizinhos.

Lituânia e UE acusam o governo do bielorrusso Alexander Lukashenko de permitir a passagem de imigrantes clandestinos procedentes do Oriente Médio e da África como represália pelas sanções impostas pela UE.

Por isso, vários países passaram a defender com todas as letras a necessidade de implementar "barreiras" nas fronteiras externas da UE, uma ideia extremamente sensível no bloco.

Em uma carta à Comissão Europeia, 12 países também pediram que a construção e instalação dessas "barreiras" sejam financiadas com dinheiro da própria União Europeia.

Neste sentido, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, acabou com qualquer dúvida: "Fui muito clara que não haverá financiamento para arame farpado ou muros" contra migrantes, disse.

Depois de várias horas de discussões em busca de um consenso, a Declaração adotada nesta sexta-feira menciona que a "UE permanece determinada a garantir um controle eficaz de suas fronteiras externas", mas sem mencionar outros detalhes.

(Com informações da AFP)