PUBLICIDADE
Topo

Candidata socialista às eleições francesas, Anne Hidalgo custa a ter apoio da própria esquerda

23/10/2021 06h42

A corrida presidencial francesa entra em uma nova etapa neste sábado (23). Reunidos em um congresso na cidade de Lille, os socialistas vão oficializar o lançamento da campanha da candidata do partido, Anne Hidalgo, para as eleições presidenciais no país, em abril de 2022.

A corrida presidencial francesa entra em uma nova etapa neste sábado (23). Reunidos em um congresso na cidade de Lille, os socialistas vão oficializar o lançamento da campanha da candidata do partido, Anne Hidalgo, para as eleições presidenciais no país, em abril de 2022.

A prefeita de Paris desde 2014 foi escolhida em setembro pelos militantes, na disputa interna contra Stephane Le Foll, ex-ministro da Agricultura do ex-presidente François Hollande. Mas as divisões dentro da esquerda atrapalham desde já a investida da candidata, julgada "parisiense demais" para atrair os votos dos franceses distantes da capital. Uma pesquisa do instituto Ipsos, publicada pelo site Franceinfo neste sábado, confirma essa percepção: 39% dos entrevistados acham que ela "não compreende" aqueles que moram fora de Paris.

Até o momento, Hidalgo não conseguiu sair dos 5% de intenções de voto dos franceses - o que significa estar em sétima posição, atrás inclusive do candidato da esquerda radical, Jean-Luc Mélanchon, e do ecologista Yannick Jadot. A dispersão dos candidatos poderá prejudicar os resultados da esquerda no primeiro turno do pleito - a mesma pesquisa Ipsos revelou que 66% dos simpatizantes da esquerda preferem uma candidatura única, para aumentar as chances de irem para o segundo turno.

Macron contra a extrema direita

O atual presidente, Emmanuel Macron, desponta com cerca de 25% das intenções de voto, seguido pela líder histórica da extrema direita Marine Le Pen, com em torno de 18%, e o polêmico jornalista Eric Zemmour, também da extrema direita, com 16%. Os conservadores tradicionais ainda não escolheram seu candidato ou candidata, entre Xavier Bertrand, Valérie Pécresse e Michel Barnier.

Ao ser nomeada candidata, Anne Hidalgo lançou propostas que já causaram polêmica, como dobrar o salário dos professores franceses, meta julgada "irrealista" por seus concorrentes. No seu primeiro verdadeiro discurso de campanha nesta tarde, ela deverá dar mais detalhes sobre seus projetos para o país, focados em eixos como aumento do poder aquisitivo dos franceses, em especial das classes média e C, transição ecológica e valorização da educação e dos valores da República francesa.

A socialista, conhecida pela revolução verde implementada em Paris, com o cerco ao uso de carros dentro da cidade e a ampliação das ciclovias, deverá redirecionar o foco para a justiça social - que inclui as questões ambientais.

Com informações da AFP