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Após golpe militar, Sudão vive clima tenso de protestos e cortes de internet

25/10/2021 18h29

"A situação é tensa na capital, muito tensa", conta a embaixadora brasileira em Cartum, Patrícia Lima. A semana começou com um golpe militar que dissolveu o governo de transição que comandava o país. O Sudão, neste momento, é um país em convulsão social, com protestos nas ruas confrontados pelos militares sob as ordens do general Abdel Fattah al-Burhan. Três pessoas morreram e 80 foram feridas à bala nesta segunda-feira (25).

"A situação é tensa na capital, muito tensa", conta a embaixadora brasileira em Cartum, Patrícia Lima. A semana começou com um golpe militar que dissolveu o governo de transição que comandava o país. O Sudão, neste momento, é um país em convulsão social, com protestos nas ruas confrontados pelos militares sob as ordens do general Abdel Fattah al-Burhan. Três pessoas morreram e 80 foram feridas à bala nesta segunda-feira (25).

Do correspondente da RFI.

O país, que desde 2019, vivia sob o comando de um conselho soberano formado por militares e civis até as próximas eleições, está agora sob as ordens militares.

O golpe começou com a prisão do primeiro-ministro Abdalla Hamdok, sua mulher e diversos outros membros do conselho soberano. Na sequência, o general Burhan foi à televisão e decretou a dissolução do governo sudanês e o estado de emergência em todo o país

A partir de então, os confrontos na rua começaram com milhares de manifestantes que não aceitam a retirada do poder das mãos dos civis. Nas ruas da capital do Sudão, manifestantes agitavam bandeiras e usavam pedras e pneus para montar barricadas com fogueiras.

Ao menos, três manifestantes foram mortos e cerca de 80 pessoas ficaram feridas após os soldados abrirem fogo contra os protestos na capital, de acordo com o Comitê Central independente dos Médicos Sudaneses.

General tem apoio

No país desde 2018, a embaixadora brasileira diz que os protestos contra o golpe são grandes, mas que o general que tomou o poder também tem apoiadores. 

"A população de fato está nas ruas protestando contra o golpe. Como já havia sido um movimento grande no dia 21 de outubro, o de hoje é ainda maior porque há uma realidade nova", explicou a brasileira. "Temos que ver nas próximas horas o que é que o general pretende tomar como decisão de governo. Agora, ele é o governo. Não há mais ministérios. Apoio, ele tem. E não é de uma parcela pouco significativa porque no protesto do último domingo, as ruas também estavam coalhadas de pessoas pedindo a destituição do primeiro-ministro", assinalou a oficial.

Nesta segunda, o aeroporto internacional de Cartum foi fechado e a internet cortada, recurso que tem se tornado cada vez mais comum em crises políticas na África e em outros lugares do mundo.

"A maioria da população está sem internet, sem conseguir fazer ligações", contou a brasileira, que falou com a RFI usando a única operadora de internet, de quatro no país, que não teve seus serviços cortados.

Estados Unidos cortam repasse de recursos

O golpe foi condenado pela comunidade internacional, incluindo o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que criticou a "detenção ilegal" do primeiro-ministro e de outros líderes. Até a noite desta segunda, ainda não era conhecido seu paradeiro.

A União Europeia, a União Africana e a Liga Árabe também expressaram preocupação, enquanto os Estados Unidos, que tem sido um dos principais apoiadores da transição do Sudão, anunciaram a suspensão da ajuda de 700 milhões de dólares ao país.

"O governo de transição liderado por civis deve ser imediatamente restaurado", disse o porta-voz do Departamento de Estado Ned Price nesta segunda. 

*Com informações da AFP