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OMS pede US$ 23 bi para nova estratégia de vacinação contra Covid-19 e aponta risco na África

28/10/2021 15h36

A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou nesta quinta-feira (28) um novo plano de luta contra a Covid-19 nos países menos desenvolvidos e pediu US$ 23,4 bilhões nos próximos 12 meses para financiar sua estratégia. Na África, a campanha de imunização continua registrando enormes carências, como falta de vacinas, seringas e outros equipamentos de proteção.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou nesta quinta-feira (28) um novo plano de luta contra a Covid-19 nos países menos desenvolvidos e pediu US$ 23,4 bilhões nos próximos 12 meses para financiar sua estratégia. Na África, a campanha de imunização continua registrando enormes carências, como falta de vacinas, seringas e outros equipamentos de proteção.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, quer aproveitar a presença dos líderes do G20 neste fim de semana em Roma para pressioná-los a agir de "maneira decisiva", a fim de erradicar uma pandemia que já matou mais de 5 milhões de pessoas no mundo.

"Estamos em um momento decisivo, que exige uma liderança decisiva para tornar o mundo um lugar mais seguro", disse Tedros durante uma coletiva de imprensa em Genebra, destacando que "esta pandemia está longe de acabar"

O acelerador ACT - uma associação das principais agências de saúde mundiais e entidades como o Banco Mundial e a Fundação Bill e Melinda Gates - precisa de US$ 23,4 bilhões para ajudar os países com mais risco a proteger e implantar as ferramentas de luta contra a Covid-19 a partir de agora e até setembro de 2022. "Financiar a totalidade do acelerador é uma necessidade absoluta para a segurança de todos no mundo. É preciso agir", enfatizou o representante da ONU. 

A OMS considera esta quantia "mínima", se comparada com as perdas econômicas provocadas pela pandemia e o custo dos planos de recuperação.

"O acesso não equitativo aos testes de Covid-19, aos tratamentos e às vacinas prolonga a pandemia no mundo inteiro e apresenta o risco de surgimento de novas variantes, mais perigosas, que poderiam escapar dos meios de combate à doença", destaca um comunicado da OMS.

"Até o momento apenas 0,4% dos testes e 0,5% das vacinas aplicadas no mundo foram administrados nos países de baixa renda, apesar do fato de que eles representam 9% da população mundial", insiste a agência da ONU.

Há seis meses meses, o diretor-geral da OMS critica a forma como os países ricos se apoderaram das vacinas disponíveis, esquecendo que o vírus e suas mutações potenciais não respeitam fronteiras. Mas Tedros continua não sendo ouvido. Na contramão de seu pedido para direcionar os imunizantes aos países onde o índice de vacinação permanece muito baixo, algumas nações começaram a vacinar crianças menores de 12 anos (China, Cambodja, Emirados Árabes Unidos e Cuba, por exemplo) e várias generalizaram a terceira dose. 

Na África faltam doses e seringas

Em nenhum lugar a desigualdade é tão gritante como no continente africano, onde apenas 8% da população recebeu uma dose da vacina", disse o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa. 

A menos que haja uma aceleração significativa, apenas cinco países, ou menos de 10% das 54 nações do continente, atingirão a meta global de 40% das populações vacinadas até o final do ano. Segundo o escritório regional da OMS, Seychelles, Ilhas Maurício, Marrocos, Tunísia e Cabo Verde são os únicos a cumprir a meta.

Já em dificuldades, a campanha local de imunização ainda corre o risco de sofrer com a escassez de seringas. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que até 2,2 bilhões de seringas específicas, utilizadas na aplicação da Pfizer/BioNTech, podem faltar na África em 2022.  

Balanço de ação

O acelerador ACT sofre de falta de financiamento e enfrentou uma série de dificuldades que impediram o sistema Covax, criado pelas Nações Unidas, de operar em plena capacidade.

Esses incidentes criaram uma demanda por mais transparência. Desde sua criação, apenas 425 milhões de doses de vacina anticovid foram entregues a 144 países, um número muito aquém das metas iniciais. O dispositivo permitiu reduzir pela metade o preço dos testes rápidos, com a transferência de tecnologia para países pobres e ampliou o acesso a oxigênio e equipamentos de proteção.

Também foi possível distribuir 3 milhões de doses de dexametasona, um corticóide eficaz na luta contra as formas graves da doença. 

A nova estratégia promete ser mais transparente. A OMS diz que ouvirá com mais atenção os pedidos das nações de baixa e média renda, bem como as organizações que representam a sociedade civil, além de dar prioridade à distribuição de vacinas.

O plano de ação também prevê a reformulação do sistema de contato com os países, para garantir que eles tenham os meios técnicos, operacionais e financeiros necessários para lutar contra a doença. As ferramentas de combate à Covid-19 devem chegar aos locais que precisam desse apoio.

Com informações da AFP