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Poeta brasileiro Max de Carvalho reúne mais de mil poemas portugueses em antologia

28/10/2021 17h06

A primeira antologia bilíngue da poesia portuguesa chegou nesta quinta-feira (28) às livrarias francesas pela editora Chandeigne. "A poesia de Portugal", de quase 2.000 páginas, dá um panorama de oito séculos de uma das tradições poéticas mais fecundas da Europa. O livro reúne 1.100 poemas de 280 autores. O trabalho monumental foi organizado e traduzido pelo poeta brasileiro Max de Carvalho.

A primeira antologia bilíngue da poesia portuguesa chegou nesta quinta-feira (28) às livrarias francesas pela editora Chandeigne. "A poesia de Portugal", de quase 2.000 páginas, dá um panorama de oito séculos de uma das tradições poéticas mais fecundas da Europa. O livro reúne 1.100 poemas de 280 autores. O trabalho monumental foi organizado e traduzido pelo poeta brasileiro Max de Carvalho.

A antologia é apresentada cronologicamente e por movimentos artísticos. Ela começa no século XII, na época da fundação de Portugal após a Reconquista, com as tradicionais cantigas medievais, e vai até século XX, considerado a idade de ouro da poesia portuguesa. Max é o tradutor de 70 a 80% dos poemas para o francês. 

"Há vários critérios: a qualidade, o interesse etc. O meu projeto era tentar realizar um conjunto coerente, a partir dos elementos que eu tinha, e criar correspondências, como diria Baudelaire, entre essas vozes separadas por séculos às vezes", explica o organizador. 

O trabalho do antologista é muito precioso, pois ele permite dar um panorama, uma visão mais ampla e profunda, acredita Carvalho, que também é poeta. 

Dentre os 280 autores, há menos de 50 mulheres, e Carvalho explica a razão: "A poesia feminina, apareceu, assim como outros traços da emancipação feminina, mais tarde na história", diz o escritor, que pesquisou poetisas desde o Renascimento. Ele reconhece que, se privilegiasse a poesia contemporânea, esta proporção seria diferente, mas sua antologia vai até poetas nascidos em 1949. 

Cabo Verde e a sonhada Passárgada

Quase todos os autores reunidos são portugueses, mas há exceções, como três poetas cabo-verdianos.

"A liberdade poética dos cabo-verdianos não esperou a independência do país, então o que eu fiz foi utilizar estes poetas, que tinham grande ligação com Portugal, e privilegiar a ideia que eles mesmos desenvolveram da 'Passárgada' de Manuel Bandeira. Os cabo-verdianos desenvolveram um sonho passargadista de 'vou-me embora para um país onde o rei é meu amigo'", conta Carvalho. "Este arquipélago entre o Brasil e Portugal me pareceu poder integrar este projeto", resume. 

Carvalho diz, na introdução, que há temas recorrentes que atravessam a história, alimentam a produção poética e são reatualizados de geração em geração, como a saudade e o Sebastianismo, a "eterna" espera da volta de um rei que se perdeu em 1578 numa batalha no deserto marroquino. 

"A poesia de Portugal, das origens ao século XX" é lançado nove anos após o também monumental "Antologia Brasil", que ele também organizou e traduziu para o francês, mostrando cinco séculos da produção poética brasileira.

Sobre a diferença entre traduzir poesia brasileira e portuguesa para o francês, Carvalho ressalta que o "brasileiro" e o português são cada vez mais diferentes. "A experiência de traduzir é o que mais me importa. E, nos dois casos, esta experiência foi muito importante. Eu não senti que a poesia portuguesa era uma coisa mais estranha para mim", conta, acrescentando acreditar que sua antologia revela "algo de essencial da alma portuguesa". 

O livro tem lançamento agendado em Paris, com a presença do autor, no dia 16 novembro às 18h, na livraria Ombres Blanches.