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Macron defende polêmico encontro com príncipe saudita suspeito de ter mandado assassinar jornalista

03/12/2021 18h18

Depois de uma noite em Doha de conversas com o emir do Catar, o presidente francês Emmanuel Macron chega na manhã deste sábado (4) à Arábia Saudita, a última parada de seu giro pelos países do Golfo. A visita permitirá, acima de tudo, que o chefe de Estado se encontre com o príncipe herdeiro Mohammed ben Salman, acusado pela CIA e pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de mandar matar o jornalista turco Jamal Khashoggi.

Depois de uma noite em Doha de conversas com o emir do Catar, o presidente francês Emmanuel Macron chega na manhã deste sábado (4) à Arábia Saudita, a última parada de seu giro pelos países do Golfo. A visita permitirá, acima de tudo, que o chefe de Estado se encontre com o príncipe herdeiro Mohammed ben Salman, acusado pela CIA e pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de mandar matar o jornalista turco Jamal Khashoggi.

Valérie Gas, enviada especial da RFI a Dubai

É em Jeddah que Emmanuel Macron e o príncipe Mohammed ben Salman, frequentemente referido como MBS, terão um encontro. O presidente francês passará apenas algumas horas lá, mas esta visita é importante porque Macron será o primeiro grande líder ocidental a fazer uma viagem à Arábia Saudita para se encontrar com o príncipe herdeiro, desde o caso Khashoggi.

O assassinato do jornalista saudita em 2018 em Istambul atraiu duras críticas ao regime de Riade, suspeito de tê-lo patrocinado. Macron ajudará a MBS a voltar à cena diplomática? O próprio presidente francês respondeu a essa pergunta com certa virulência, antes de partir de Dubai.

"A Arábia Saudita organizou o G20, há mais de um ano", disse o chefe de Estado. Todos os líderes do G20 estavam lá. Vamos ser honestos com nós mesmos. Quem pode imaginar por um segundo que estamos ajudando o Líbano, que estamos preservando a paz e a estabilidade no Oriente Médio, que estamos trabalhando se dissermos: 'Não estamos mais falando com a Arábia Saudita', o país mais populoso e maior no Golfo?", defendeu-se Macron.

"Então isso não significa que eu endosso, não significa que eu esqueça, isso não significa que não sejamos parceiros exigentes. As pessoas precisam assistir o que aconteceu nos últimos 18 meses, em vez de falar bobagem. É justo atuar pelo nosso país e pelos interesses da região", declarou Macron.

Uma abordagem que pretende ser pragmática, mas que não convence os defensores dos direitos humanos.

Postura "chocante"

Para Aymeric Elluin, que dirige a gestão de armas na Anistia Internacional, a postura da França é "chocante". "A França sempre tomou partido, como costuma fazer ao dizer: 'Discutimos com todos.' Mas, ao discutir com todos, a França se esquece de respeitar os fundamentos principais da ética: a busca da verdade, a luta contra a impunidade. Estamos muito chocados. Porque esta é a primeira vez, desde aquele assassinato hediondo, que um chefe de Estado se encontra com o príncipe MBS. Esta é uma forma de legitimar este príncipe quando nem toda a luz foi lançada sobre sua responsabilidade na prática deste crime. E é isso que é dramático", criticou.

"Mais uma vez, vemos que os direitos humanos são colocados na parte inferior da escala, ou melhor, totalmente esquecidos, continuou Aymeric Elluin em entrevista à RFI. "E esperávamos gestos fortes. Na Arábia Saudita, podemos falar sobre a pena de morte, podemos falar sobre os defensores dos direitos humanos e especialmente as mulheres. Quais serão as mensagens que a França tentará transmitir sabendo que de 2011 a 2020, a França se entregou à Arábia e aos Emirados por vários bilhões de euros em material de guerra? Então, sim, hoje não há mais diplomacia de direitos humanos, não há mais diplomacia de proteção do direito internacional humanitário. Todos nós estamos chocados", afirmou.

O gigantesco contrato de venda de aeronaves Rafale

A França acaba de fechar nesta sexta-feira (3), por ocasião da visita de Emmanuel Macron a Dubai, o maior contrato de venda de aeronaves Rafales: 80 caças Rafale no valor de €16 bilhões. É uma encomenda recorde no mercado de armas, que encanta os fabricantes franceses e reforça a parceria estratégica na região.

Por outro lado, o sinal no terreno dos direitos humanos é totalmente negativo, e é o que denuncia Aymeric Elluin, da Anistia Internacional França.