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Covid-19: Dinamarca registra 183 casos da ômicron, que poderia causar menos casos graves

05/12/2021 13h28

O número de pacientes contaminados pela nova variante ômicron evolui de maneira "preocupante" e triplicou em 48 horas, de acordo com as autoridades sanitárias do país, que também registra 42 casos suspeitos. Os dados foram divulgados neste domingo (5) pelo Instituto Público SSI.  

O número de pacientes contaminados pela nova variante ômicron evolui de maneira "preocupante" e triplicou em 48 horas, de acordo com as autoridades sanitárias do país, que também registra 42 casos suspeitos. Os dados foram divulgados neste domingo (5) pelo Instituto Público SSI. 
 

"O primeiro caso foi detectado há uma semana na Dinamarca, e a propagação aconteceu rapidamente", declarou Birgitte Drewes, responsável da vigilância sanitária citada pela agência Ritzau. De acordo com ela, 38 casos foram diagnosticados após uma festa de Natal organizada por uma empresa, no oeste do país. Cerca de 150 pessoas participaram do evento.

O país nórdico é um dos com maior capacidade de sequenciamento das cepas do coronavírus no continente europeu, o que permite detectar mais casos e de maneira mais rápida. Os dados não significam, portanto, que a propagação do vírus seja maior do que em outros países, mas sugere que o número de contágios pela ômicron pode estar sendo subestimado. 

Antes do anúncio do governo dinamarquês, o Centro Europeu de Controle e de Prevenção de Doenças havia registrado um total de 182 casos em toda a União Europeia, além da Noruega e da Islândia. É pouco provável que, no restante do continente, haja menos contaminações do que em apenas um país.

De acordo com o Centro, 17 países da União Europeia, incluindo a Noruega e a Islândia, detectaram pelo menos um caso de ômicron em seu território. Os mais atingidos são Portugal (34), Noruega (19), Holanda (18) e a Alemanha (15). "Nós observamos uma alta preocupante do número de infecções pela ômicron na Dinamarca", reiterou o diretor do Instituto Público SSI, Henrik Ullum, em um comunicado.

Ele ressaltou que a transmissão é local. "A cepa foi detectada em algumas cadeias de transmissão, das quais fazem parte pessoas que não viajaram ou estiveram em contato com viajantes", declarou. De acordo com ele, o Instituto trabalha para acelerar os resultados rápidos dos testes de laboratório, para que as instituições sanitárias possam estabelecer a rede de contatos "o mais rápido possível."

Vacinar mais e mais rápido

"Devemos utilizar o tempo que temos para vacinar o maior número de pessoas possível. Uma imunidade importante fará nossa sociedade resistir melhor à situação, se a propagação da ômicron continuar", declarou. As autoridades sanitárias dinamarquesas utilizaram um PCR específico para variantes para detectar a maioria dos casos, além do método conhecido como WGS (Whole Genome Sequencing), que analisa o genoma inteiro do SARS-CoV-2. "Este método é tão eficaz que um paciente detectado com essa técnica é considerado como tendo seu diagnóstico confirmado", declarou.

Um número cada vez maior de países vem diagnosticando casos da variante ômicron, que possui diversas mutações na proteína Spike, usada pelo coronavírus para penetrar nas células humanas. Isso pode, potencialmente, aumentar sua contagiosidade e também tornar o vírus menos sensível às vacinas - mas ainda é necessário confirmar essa probabilidade. Há esperanças cada vez maiores que os imunizantes ofereçam algum tipo de proteção, e muitos laboratórios já preparam, por precaução, versões de suas vacinas adaptadas à nova cepa.

Variante pode causar casos menos graves

Segundo o imunologista Anthony Fauci, conselheiro da Casa Branca sobre a crise sanitária, os primeiros "sinais" que chegam da África do Sul sobre a gravidade dos casos associados à nova cepa são "encorajadores." De acordo com ele, os dados são preliminares, mas, apesar de parecer mais transmissível, é possível que a ômicron seja menos letal, "mesmo que ainda seja cedo para se tirar conclusões definitivas", reiterou, neste domingo. Diversos especialistas lembraram que a população africana é jovem, e casos graves poderiam surgir nas próximas semanas.

(RFI e AFP)