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Israel: quarta dose da vacina aumentaria em cinco vezes proteção contra Covid-19

05/01/2022 06h50

Segundo resultados de um estudo preliminar realizado em Israel e anunciado nesta terça-feira (4), a 4ª dose quintuplica a quantidade de anticorpos uma semana após a injeção. A pesquisa foi feita pelos cientistas do Centro Médico Sheba, nos arredores de Tel Aviv.

Segundo resultados de um estudo preliminar realizado em Israel e anunciado nesta terça-feira (4), a 4ª dose quintuplica a quantidade de anticorpos uma semana após a injeção. A pesquisa foi feita pelos cientistas do Centro Médico Sheba, nos arredores de Tel Aviv.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel-Aviv

Os resultados foram anunciados pelo primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, que visitou o hospital para receber os dados. O teste clínico foi realizado no dia 27 de dezembro com 150 membros da equipe médica do hospital que haviam recebido a 3ª dose de reforço há pelo menos mais de quatro meses. Todos estavam saudáveis, mas apresentavam uma sorologia inferior a 700, ou seja, não tinham mais anticorpos suficientes que os protegessem contra a Covid-19.

Mas, duas semanas após receberem uma nova dose do imunizante da Pfizer BioNTech, todos apresentaram um aumento de cinco vezes no número de anticorpos, o que indica que uma 4ª dose pode oferecer mais segurança contra complicações causadas pelo vírus. Nesta quarta-feira (5), o mesmo hospital, o Sheba, inicia um teste semelhante com a vacina da Moderna, que será administrada em outros 150 membros da equipe médica.

Ainda é cedo para dizer se todos deverão receber a nova dose de reforço, mas especialistas em Israel já acreditam que ela é necessária em imunodeprimidos ou maiores de 60 anos de idade. Por isso, o Ministério da Saúde israelense aprovou uma 4ª dose da vacina para esses dois grupos, que começou a ser aplicada neste domingo(2).

Jovens talvez não precisem de quarta dose

Israel é o primeiro país a tomar essa decisão, após ser o primeiro a ministrar a 3ª dose, em julho de 2021, e o pioneiro também na campanha de vacinação em massa com as vacinas da Pfizer e da Moderna, em dezembro de 2020. Mais de 100 mil pessoas já foram se vacinar com a 4ª dose ou já marcaram hora para serem imunizadas, nos próximos dias. Nesta terça-feira, o próprio diretor-geral do Ministério da Saúde, o professor Nachman Ash, que tem 60 anos, recebeu a injeção.

Isso não significa que outros grupos etários receberão a 4ª dose. O Dr. Ronni Gamzu, diretor-geral do Centro Médico Sourasky, em Tel Aviv, por exemplo, disse à RFI Brasil que talvez pessoas com menos de 40 anos não precisem de uma nova injeção. Para ele, ainda é preciso fazer mais testes levando em consideração a variante ômicron, que já é a dominante no país.

Israel passa neste momento por uma severa 5ª onda de Covid desde o começo da pandemia, em março de 2020. O motivo é sem dúvida a variante ômicron, que foi detectada pela primeira vez no país em 1º de dezembro e, em pouco mais de um mês, mudou o cenário do coronavírus em Israel.

Em outubro e novembro, Israel vivia um momento quase idílico, com apenas 100 ou 200 casos por dia, baixíssima hospitalização e médias de apenas 2 ou 3 mortes por dia. O governo abriu as fronteiras para turistas e quase todas as restrições foram anuladas. Com a chegada da ômicron, o cenário, hoje, é de mais de 10 mil pessoas infectadas por dia. A perspectiva é a de que, na próxima semana, o número de infectados chegue a 20 mil diariamente, o que representa um recorde.

Passe Verde

O governo voltou a fechar o espaço aéreo e trouxe de volta o "Passe Verde". Sem o documento, pessoas que não tomaram a 3ª dose não podem entrar em locais públicos fechados como lojas, restaurantes, cinemas e teatros. Cerca de 46% dos israelenses foram vacinados com três doses e 72% com pelo menos uma.

Por enquanto, ainda não há perspectiva de um novo lockdown. O novo governo do país, no poder há seis meses, prometeu fazer de tudo para evitar mais um fechamento geral da economia, como os três que o país passou, nos últimos dois anos. O governo aposta no uso de máscara, na limitação de aglomerações e, principalmente, na vacinação: não só a 4ª dose para pessoas acima dos 60 anos, como a primeira e segunda doses para crianças de 5 a 11 anos.

A campanha infantil começou há um mês, mas muitos pais decidiram esperar e agora estão procurando clínicas para vacinar seus filhos. A nova onda tem afetado duramente as crianças em idade escolar, levando colégios inteiros a entrar em quarentena.

Uma das razões que gera um certo otimismo, apesar do aumento de casos, é que não há um crescimento muito grande no número de hospitalizações ou mortes, até agora.

Se, na semana passada, havia 85 pessoas em estado grave em todo o país, atualmente 117 são tratados nas unidades de terapia intensiva - um aumento de menos de 50% mesmo com o crescimento exponencial dos casos. Os óbitos também não estão aumentando muito, pelo menos até agora. Nos últimos sete dias, a média diária de mortes é de uma pessoa por dia.

O Dr. Ronni Gamzu diz que a ômicron pode ser até mesmo uma "boa notícia", porque, apesar de ser muito contagiante, provoca menos casos sérios de Covid. Segundo ele, muita gente "vai se infectar sem sofrer com sintomas muito graves e vai desenvolver uma imunidade natural". Somando isso à grande quantidade de pessoas vacinadas, ele diz que "é possível que Israel chegue em breve a uma situação de imunidade de rebanho".