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Após agressão de dois jornalistas na França, ONG denuncia aumento da violência contra imprensa

17/01/2022 16h50

Dois dias após a agressão de uma equipe da agência de notícias France Presse durante uma manifestação de antivacinas em Paris, no sábado (15), a organização Repórteres Sem Fronteiras denunciou o aumento de "hostilidades violentas" contra jornalistas. A ministra francesa da Cultura Roselyne Bachelot lamentou o que chamou de "violências intoleráveis" em mensagem em rede social, nesta segunda-feira (17).

Dois dias após a agressão de uma equipe da agência de notícias France Presse durante uma manifestação de antivacinas em Paris, no sábado (15), a organização Repórteres Sem Fronteiras denunciou o aumento de "hostilidades violentas" contra jornalistas. A ministra francesa da Cultura Roselyne Bachelot lamentou o que chamou de "violências intoleráveis" em mensagem em rede social, nesta segunda-feira (17).

"Uma equipe da Agência France Presse foi agredida e ameaçada de morte durante uma manifestação no sábado em Paris. Estas violências são intoleráveis. Impedir os jornalistas de trabalhar é um ataque contra nossa democracia", lamentou a ministra no Twitter.

A agência de notícias deve prestar queixa na procuradoria da República em nome dos dois jornalistas agredidos por "violências intencionais em grupo" e "ameaças de morte", e por "obstrução à liberdade de expressão".

Os dois cinegrafistas e os agentes de segurança que os acompanhavam foram violentamente agredidos e ameaçados de morte no sábado, quando cobriam uma manifestação contra o passaporte vacinal, aprovado pelo Congresso francês neste fim de semana.

Manifestação da extrema direita

A manifestação foi organizada pela formação Os patriotas, do candidato de extrema direita às presidenciais francesas, "pró-Frexit", como é chamada a saída da França da União Europeia, Florian Philippot.

De acordo dom os jornalistas, cinquenta pessoas tentaram atacar a cinegrafista da AFP, sob as ordens de um indivíduo encapuzado que usava um megafone. Os agentes de segurança intervieram e foram golpeados com casstetes.

A equipe foi ameaçada de morte e um dos agentes foi ferido na cabeça com uma garrafa.

"A AFP denuncia a banalização das agressões, verbais e agora físicas, contra suas equipes e se preocupa do novo nível de violência atingido", afirmou no domingo (16) o diretor da agência, Fabrice Fries.

Esta é a segunda agressão de uma equipe da AFP que cobria manifestações contra o passe sanitário em poucos meses. Em julho de 2021, em outro protesto organizado por Philippot, os manifestantes cuspiram e insultaram dois cinegrafistas da agência.

Aumento de hostilidades

O diretor da ONG Repórteres sem fronteiras (RSF), Christophe Deloire, denunciou o "aumento de hostilidades violentas contra jornalistas na França, o que considera "extremamente preocupante".

"Essa violência começou nos comícios da extrema direita, sobretudo os da Frente Nacional. Elas continuaram em manifestações como as dos coletes amarelos, onde um dos piores casos aconteceu: uma tentativa de linchamento de uma equipe da LCI (canal de notícias)", lamenta.

De acordo com Deloire, o fenômeno não é exclusivamente francês. Na Alemanha, o movimento xenófobo e antimuçulmano Pegida e, nos Estados Unidos, os apoiadores do ex-presidente Donald Trump alimentaram o ódio contra a imprensa. "É um ódio à mídia que ultrapassa o fenômeno de desconfiança e de ausência de confiança", analisa.

Para ele, os jornalistas devem ser tolerados independentemente da linha editorial do veículo para qual trabalham.

(Com informações da AFP)