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Franceses têm nova preocupação com subvariante da ômicron

21/01/2022 17h16

A França registrou 400 mil casos positivos de Covid-19 nas últimas 24 horas. Se não bastasse a preocupação com o contágio galopante associado à variante ômicron, uma subvariante desta cepa preocupa as autoridades francesas. O epidemiologista Antoine Flahault, diretor do Instituto de Saúde Global em Genebra, recomenda "vigilância" em relação à evolução dessa sublinhagem ainda pouco conhecida. 

A França registrou 400 mil casos positivos de Covid-19 nas últimas 24 horas. Se não bastasse a preocupação com o contágio galopante associado à variante ômicron, uma subvariante desta cepa preocupa as autoridades francesas. O epidemiologista Antoine Flahault, diretor do Instituto de Saúde Global em Genebra, recomenda "vigilância" em relação à evolução dessa sublinhagem ainda pouco conhecida. 

O Ministério da Saúde francês acompanha de perto o comportamento desta subvariante da ômicron, denominada BA.2. Ela surgiu há algumas semanas e circula em vários países. As características dessa cepa ainda são pouco conhecidas, mas provocam questionamentos entre os médicos porque, em pouco tempo, ela se tornou dominante na Dinamarca, onde os casos vêm aumentando há dias.

Os especialistas costumam dizer que é normal aparecer subvariantes quando a circulação do vírus é intensa. "Mas o que surpreende é a velocidade com que esta sublinhagem da ômicron, que também tem se propagado na Ásia, se instalou na Dinamarca", diz Antoine Flahault. A França detectou vários casos dessa cepa, "mas em níveis muito baixos", afirmam as autoridades.

Com uma média móvel diária superior a 300 mil casos positivos de Covid-19 em sete dias, o governo francês esperava um pico de infecções em torno de 15 de janeiro. Mas isto não aconteceu e talvez seja por causa dessa subvariante, também muito transmissível. O único sinal positivo, por enquanto, é que o número de pacientes com a forma grave da Covid-19 em UTIs continua a diminuir nos hospitais. Por outro lado, o presidente do conselho científico que assessora o governo, Jean-François Delfraissy, prevê que a quinta onda epidêmica continuará a pressionar o sistema hospitalar até meados de março. 

O que deixa os franceses meio perdidos é que o governo anunciou na quinta-feira (20) a suspensão progressiva das restrições sanitárias. A partir de 2 de fevereiro, o uso de máscara não será mais exigido nas ruas, mesmo em locais com aglomerações. Estádios e salas de espetáculos poderão receber espectadores sem limite de capacidade.

O trabalho remoto também será suspenso nas empresas e repartições públicas. A regra em vigor atualmente é home office obrigatório ao menos três vezes por semana. Em uma segunda etapa, no dia 16 de fevereiro, as casas noturnas poderão reabrir e o consumo de bebidas em pé, no balcão de bares e cafés, será novamente autorizado. 

Opositores e médicos alertam que o Executivo corre um grande risco com a flexibilização antes da hora dos instrumentos de frenagem da pandemia, principalmente nesse contexto de um número elevadíssimo de contaminações. O primeiro-ministro Jean Castex relativiza o perigo e conta com o novo passaporte vacinal, que entrará em vigor na próxima segunda-feira (24), para manter a situação sob controle.

Conselho Constitucional aprova passaporte vacinal

O Conselho Constitucional ratificou nesta sexta-feira o projeto de lei sobre o novo dispositivo, que tinha sido aprovado pelo Parlamento no último domingo, após vários dias de batalha parlamentar entre a maioria governista e a oposição. Apenas um artigo foi retocado do texto. Todos os cidadãos, vacinados ou não, terão acesso aos eventos eleitorais. O passaporte da vacina não poderá ser cobrado na entrada dos comícios ou outros encontros do gênero, como desejavam alguns partidos. A França está a três meses das eleições presidenciais e seria inconstitucional restringir o acesso de cidadãos a atividades que podem ajudar os eleitores a escolher seus candidatos e exercer o direito de voto.

À exceção dos comícios de campanha, a partir de segunda-feira, todos os franceses maiores de 16 anos terão de apresentar esquema vacinal completo para ter acesso a restaurantes, cinemas, estádios, salas de espetáculos, academias de ginástica ou para viajar de trem e avião. O novo dispositivo substitui o passaporte sanitário, que permitia aos não vacinados apresentar um teste PCR negativo. Essa alternativa irá desaparecer. O presidente Emmanuel Macron assumiu a estratégia de infernizar a vida dos não vacinado "até o fim".

Em fevereiro, Macron deve oficializar sua candidatura à reeleição. Com milhares de contaminados ou não, a campanha tende a acelerar.