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"Golpe pegou todo mundo de surpresa", conta embaixadora do Brasil em Burkina Faso

26/01/2022 17h14

A situação está relativamente calma em Burkina Faso nesta quarta-feira (26), dois dias após o golpe de Estado que derrubou o presidente Roch Marc Christian Kaboré. A população apoia a retirada do chefe de Estado, que vinha sendo contestado por sua gestão da luta contra o terrorismo no país. Mesmo assim, a queda de Kaboré foi uma surpresa, de acordo com a embaixadora do Brasil em Ouagadougou.

A situação está relativamente calma em Burkina Faso nesta quarta-feira (26), dois dias após o golpe de Estado que derrubou o presidente Roch Marc Christian Kaboré. A população apoia a retirada do chefe de Estado, que vinha sendo contestado por sua gestão da luta contra o terrorismo no país. Mesmo assim, a queda de Kaboré foi uma surpresa, de acordo com a embaixadora do Brasil em Ouagadougou.

Com informações de Miguel Martins

Uma reunião de cúpula extraordinária com representantes da Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) está prevista para sexta-feira (28) e deve discutir a situação de Burkina Faso após o golpe militar. Mas nas ruas do país a população retoma aos poucos a vida normal.

Centenas de manifestantes chegaram a protestar na capital na terça-feira (25). Alguns carregavam bandeiras russas, em referência à cooperação com Moscou ativa há vários meses. Mas "os estrangeiros não se sentem ameaçados a ponto de quererem sair daqui", resume a embaixadora do Brasil em Ouagadougou, Ellen Barros. Ela explica que a população "está apoiando os militares".

"Esse golpe foi imprevisível. Pegou todo mundo de surpresa", relata a diplomata. "Era crescente a insatisfação com a gestão da luta contra o terrorismo pelo governo. Mas não a ponto de que houvesse um golpe", avalia.

A embaixadora conta que o comércio está funcionando e que as fronteiras, que chegaram a ser fechadas pelos militares na segunda-feira, já foram reabertas. "Está sendo uma transição pacífica", aponta.

Presidente segue detido

O presidente continua detido pelos militares e a comunidade internacional pede sua liberação imediata. Segundo um representante de seu partido, o Movimento do Povo para o Progresso (MPP), Kaboré está bem fisicamente. "Mas não posso dizer-lhes nada sobre seu estado de ânimo", completou.

O poder está agora nas mãos do Movimento Patriótico para a Salvaguarda e Restauração (MPSR). As ordens no país são dadas pelo tenente-coronel Paul-Henri Sandaogo Damiba, comandante da terceira região militar que cobre o leste do país, em uma zona particularmente afetada por ataques jihadistas.

Ao prenderem o presidente, os soldados uniformizados que anunciam na televisão nacional a tomada do poder prometeram "retornar à ordem constitucional" dentro de um "período de tempo razoável".

Além de Kaboré, o chefe do governo, Lassina Zerbo, ex-funcionários das Nações Unidas que estava no cargo há menos de dois meses, também está detido em sua própria casa. O ministro da Defesa, Barthélémy Simporé, e o presidente da Assembleia Nacional, Bala Sakandé, também estão detidos.

Burkina Faso é um dos países mais pobres da África Ocidental. Apesar de ser produtor de ouro, sofreu vários golpes desde sua independência da França, em 1960.