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Discurso de Zelensky marca a abertura da 75ª edição do Festival de Cannes

17/05/2022 15h11

Começou na noite desta terça-feira (17) a 75ª edição do Festival de Cinema de Cannes. A cerimônia foi marcada por um discurso do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Por vídeo, o chefe de Estado chamou a atenção para a situação em seu país, atacado há quase três meses pelas forças russas.

Começou na noite desta terça-feira (17) a 75ª edição do Festival de Cinema de Cannes. A cerimônia foi marcada por um discurso do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Por vídeo, o chefe de Estado chamou a atenção para a situação em seu país, atacado há quase três meses pelas forças russas.

Foi em um dia de verão antes da hora, com o termômetro na casa dos 30 graus, que começou o maior festival de cinema do mundo. O evento da Riviera Francesa está de volta em seu formato normal, após uma edição anulada em 2020 e outra realizada com atraso em 2021 por causa da Covid-19. Sem a exigência do uso de máscaras de proteção, os organizadores mostram que querem virar a página da pandemia.

A cerimônia, apresentada pela atriz belga Virginie Efira, contou com uma homenagem ao ator norte-americano Forest Whitaker, que recebeu uma Palma de Honra por sua carreira. Protagonista de filmes emblemáticos como "O Último Rei da Escócia" ou "Bird" (com o qual ganhou o prêmio de melhor atuação no Festival de 1988), Whitaker disse ser "uma honra celebrar o poder do cinema", antes de lembrar que "muitos perderam amigos e familiares por causa da Covid e outros tiveram que abandonar suas casas devido à guerra".

As alusões ao conflito ucraniano permearam a cerimônia, com referências feitas também por Virginie Efira, ou ainda pelo presidente do júri, o ator francês Vincent Lindon, que disse que o cinema é uma "arma de emoção massiva".

Mas o momento mais forte da cerimônia foi o discurso do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. "Vamos continuar lutando. Não temos outra escolha. Eu estou certo que o 'ditador' vai perder", disse, em referência ao filme de Charlie Chaplin e ao presidente russo Vladimir Putin. "É preciso de um novo Chaplin que nos mostre que o cinema não é mudo", disse o chefe de Estado, muito aplaudido.

O festival de Cannes deve ser marcado por uma série de mensagens de apoio ao povo ucraniano. Um momento de muita emoção em Cannes será, sem dúvida, a exibição na quinta-feira (19) de "Mariupolis 2", filme póstumo do diretor lituano Mantas Kvedaravicius, fora da competição.

O cineasta, que havia realizado "Mariupolis" em 2016, voltou à Ucrânia no início da guerra para reencontrar os personagens do seu primeiro documentário, mas foi capturado e assassinado pelo exército russo em Mariupol no início de abril, quando fazia a filmagem. Sua companheira conseguiu deixar a Ucrânia com as imagens que serão exibidas em Cannes.

A cerimônia de abertura do Festival de Cannes prosseguiu com a projeção de "Coupez!" (Corta!, tradução livre), uma comédia do francês Michel Hazanavicius, apresentada fora da competição. Até 28 de maio, 21 longas vão disputar a Palma de Ouro.