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Aliado de Putin, ex-chanceler Schröder tem privilégios cortados e pode ser sofrer sanções da UE

19/05/2022 14h45

Privado de uma parte dos seus direitos na Alemanha e ameaçado de sanções europeias, o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder paga um preço alto por manter laços com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o cargo que ocupa em companhias russas. Nesta quinta-feira (19), o Parlamento Europeu adotou uma resolução para solicitar a aplicação de sanções contra o ex-dirigente, que assumiu o governo da Alemanha entre 1998 e 2005.

Privado de uma parte dos seus direitos na Alemanha e ameaçado de sanções europeias, o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder paga um preço alto por manter laços com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o cargo que ocupa em companhias russas. Nesta quinta-feira (19), o Parlamento Europeu adotou uma resolução para solicitar a aplicação de sanções contra o ex-dirigente, que assumiu o governo da Alemanha entre 1998 e 2005.

A votação em Bruxelas resultou em aprovação por unanimidade. O texto, que também menciona Karin Kneissl, ex-ministro das Relações Exteriores da Áustria durante o governo de Sebastian Kurz, foi apoiado pelos quatro principais grupos parlamentares, que pedem para Schröder deixar os cargos que ocupa.

Apesar da invasão da Ucrânia, o ex-chanceler social-democrata, de 78 anos, se recusa a abandonar a atuação em grupos de energia russos. Ele é presidente do comitê de acionistas do Nord Stream AG, o polêmico gasoduto entre Rússia e Alemanha que não tem licença para operar, e presidente do conselho de administração da Rosneft, a maior empresa de petróleo da Rússia.

O texto não é vinculante, mas representa uma pressão significativa para que a UE puna personalidades europeias consideradas próximas do Kremlin, sejam quem forem. "Ao ocupar cargos de responsabilidade nas empresas ligadas ao Kremlin, o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder está de fato cooperando estreitamente com a Rússia", disse o deputado conservador Markus Ferber, um dos relatores da resolução.

Fim de privilégios

Também nesta quinta, uma comissão parlamentar alemã retirou parte dos privilégios concedidos a Schröder, como a atribuição de escritórios, depois de constatar que ele não cumpriu as obrigações ao se negar a cortar os vínculos com grupos de energia russos.

"As bancadas parlamentares da coalizão tiraram as consequências do comportamento do ex-chanceler e lobista Gerhard Schroeder ante à invasão russa da Ucrânia", afirma um comunicado do Parlamento. "O gabinete do ex-chanceler deve ser suspenso", acrescenta.

Schröder conservará, no entanto, a proteção policial e a pensão de ex-chanceler. Ele ainda tem direito a vários escritórios no Parlamento alemão e a um orçamento pessoal - privilégios que custam aos contribuintes € 400 mil euros por ano.

O ex-chanceler, de 78 anos, virou uma figura incômoda, inclusive para o atual chefe de Governo, Olaf Scholz, do qual foi mentor. Lobista do gás russo, ele provocou indignação depois de declarar ao jornal americano New York Times que só renunciará a sua participação em empresas russas se Moscou parar de fornecer gás à Alemanha. Ele é acusado inclusive de ter reforçado a dependência energética da Alemanha em relação à Rússia.

Abandonado por aliados

"Bom! Um ex-chanceler que faz lobby abertamente pelo regime criminoso de Putin não deve receber um cargo dos contribuintes", tuitou o ministro das Finanças, Christian Lindner.

A coalizão também explica a decisão pelo fato de que "o ex-chanceler não assume mais nenhuma obrigação contínua relacionada ao seu cargo". Além disso, a comissão de orçamento pede ao governo que assegure que a partir de agora "a contratação de ex-chanceleres federais seja feita de acordo com a obrigação permanente decorrente de sua função e não de acordo com a sua condição".

Schröder, que governou quando Putin chegou ao poder em 2000, estabeleceu "uma verdadeira amizade, baseada na confiança" com o líder russo, que ele retratou em 2004 como um "democrata perfeito", lembrou em fevereiro cientista política Ursula Münch, à AFP.

Com informações AFP e Reuters