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ONG pede que Fifa pague indenização milionária a trabalhadores migrantes maltratados no Catar

19/05/2022 08h22

A ONG Anistia Internacional pediu nesta quinta-feira (19) à Fifa que pague uma indenização de pelo menos US$ 440 milhões a trabalhadores migrantes "maltratados" no Catar, país sede da Copa do Mundo de 2022. A organização alega que os direitos deles não foram plenamente respeitados.

A ONG Anistia Internacional pediu nesta quinta-feira (19) à Fifa que pague uma indenização de pelo menos US$ 440 milhões a trabalhadores migrantes "maltratados" no Catar, país sede da Copa do Mundo de 2022. A organização alega que os direitos deles não foram plenamente respeitados.

O pedido da Anistia, apoiado por outras organizações de direitos humanos, vem depois de repetidas críticas à lentidão do órgão regulador do futebol em responder às denúncias de más condições de trabalho dos operários que se aglomeraram nos canteiros de obras para a Copa do Mundo no rico estado do Golfo.

"A Fifa deve dedicar pelo menos US$ 440 milhões à reparação dos danos sofridos pelas centenas de milhares de trabalhadores migrantes que foram vítimas de violações de direitos humanos no Catar durante os preparativos para a Copa do Mundo de 2022", declara a ONG, em um comunicado.

Segundo a Anistia, este montante, que corresponde à dotação que as 32 equipes participantes vão partilhar, é o "mínimo necessário" para indenizar os trabalhadores e protegê-los de futuros abusos. A organização cita em particular os salários não pagos, o pagamento de taxas de recrutamento "ilegais" e "exorbitantes", bem como os danos causados ??por acidentes de trabalho.

 A ONG com sede em Londres incitou a Fifa a "trabalhar com o Catar para implementar um programa abrangente de reparações com a participação de trabalhadores, sindicatos, Organização Internacional do Trabalho (OIT) e sociedade civil".

Abusos em série

Desde 2010, quando a Fifa concedeu a Copa do Mundo de 2022 ao Catar, uma "série de abusos" atrapalha os preparativos sem que o órgão exija "a menor melhoria nas condições de trabalho", acusou a Anistia.

A entidade, no entanto, saudou as reformas sociais decididas pelo Catar desde 2018 e a melhoria das condições nos locais oficiais da Copa do Mundo iniciada em 2014. Mas, segundo a ONG, essas regras nem sempre são respeitadas e os abusos persistem.

Em um comentário enviado à AFP, a Fifa disse que está "atualmente avaliando a proposta da Anistia" e de outras ONGs, dizendo que "envolve uma ampla gama de infraestruturas públicas construídas (no Catar) desde 2010 que não estão necessariamente relacionadas à Copa do Mundo".

Criticado desde que foi premiado com a primeira Copa do Mundo em um país árabe, o Catar fez grandes reformas, abolindo o sistema em que os funcionários eram praticamente uma propriedade de seu empregador e estabelecendo um salário mínimo por hora. O país rejeita categoricamente o número de mortos em canteiros de obras apresentado pela mídia internacional.

(Com informações da AFP)