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Guerra da Rússia-Ucrânia

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Guerra na Ucrânia: russos anunciam queda de Mariupol e Donbass segue sob forte ataque

Grupo de combatentes que estavam no complexo Azovstal, em Mariupol, entregou-se às forças russas - Ministério da Defesa da Rússia
Grupo de combatentes que estavam no complexo Azovstal, em Mariupol, entregou-se às forças russas Imagem: Ministério da Defesa da Rússia

21/05/2022 08h16

O complexo siderúrgico de Azovstal, em Mariupol, último reduto de resistência ucraniana neste porto estratégico no Mar de Azov, passou ao controle russo na noite desta sexta-feira (20), enquanto no Donbass, mais ao norte do país, a artilharia de Moscou atingiu as posições de Kiev.

Na noite desta sexta-feira, o porta-voz do Ministério da Defesa russo afirmou que o complexo siderúrgico havia "passado para o controle total das forças armadas russas", após a rendição dos últimos soldados ucranianos, e que a notícia havia sido repassada ao presidente Vladimir Putin.

Imagens divulgadas por Moscou mostraram grupos de homens em equipamentos de combate saindo da siderúrgica, alguns com muletas ou bandagens, após uma longa batalha que se tornou um símbolo da resistência ucraniana à invasão russa.

"O alto comando militar deu a ordem de salvar a vida dos soldados de nossa guarnição e parar de defender a cidade", disse em um vídeo no Telegram o comandante do regimento Denys Prokopenko, com um grande curativo no braço direito, e no que parecia ser uma sala subterrânea. Kiev rejeita o termo rendição, e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky refere-se à operação como "o resgate de nossos heróis".

Os militares russos divulgaram imagens na noite de sexta-feira que disseram ser de combatentes ucranianos desarmados agora sob poder dos soldados russos. A Ucrânia espera trocar prisioneiros de guerra, mas a Rússia deixou claro, visando implicitamente o regimento Azov, que considera alguns deles como combatentes "neonazistas".

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha instou os dois lados a conceder acesso a prisioneiros de guerra e a civis, "onde quer que estejam detidos".

Doze mil investigações de crimes de guerra

A batalha pelo controle de Mariupol resultou em diversas acusações de crimes de guerra por potências ocidentais, incluindo o ataque a uma maternidade. A Ucrânia abriu mais de 12 mil investigações de crimes de guerra desde 24 de fevereiro, de acordo com o Ministério Público ucraniano.

Nesta sexta-feira, o sargento Vadim Shishimarin, de 21 anos, admitiu ter matado um civil desarmado no início da ofensiva, no primeiro julgamento de um soldado russo acusado de crimes de guerra desde o início da invasão. O veredito é esperado para esta segunda-feira (23). O jovem soldado disse estar "sinceramente arrependido", e seu advogado o declarou "inocente" de assassinato premeditado e de crimes de guerra em suas alegações finais.

Depois de não tomar Kiev nem Kharkiv, a segunda maior cidade ucraniana, ao nordeste do país, a Rússia está concentrando seus esforços militares no leste e no sul. "O inimigo está constantemente realizando operações ofensivas na zona operacional leste para estabelecer o controle total sobre o território das regiões de Donetsk e Luhansk e manter o corredor terrestre com a Crimeia temporariamente ocupada", informou o estado-maior das forças ucranianas no Facebook na manhã deste sábado (21).

Na bacia de Donbass, parcialmente controlada desde 2014 por separatistas pró-Rússia, o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, garantiu que a conquista da região de Lugansk estava "quase completa". O porta-voz do Ministério da Defesa ucraniano, Oleksandre Motouzianyk, revelou que a situação "mostrou sinais de piora" e que "as forças de ocupação russas estão conduzindo fogo intenso ao longo de toda a linha de frente".

"Enquanto estamos resistindo, nossas tropas estão recebendo armas estrangeiras, se rearmando, reagrupando, e acho que em junho veremos um contra-ataque", assegurou o governador local Serguiï Gaïdaï, na noite de sexta-feira para sábado.

Ataque 'brutal e absolutamente inútil'

Em Lozova, uma cidade no leste, pelo menos oito pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas por um ataque de mísseis russos a um centro cultural recém-reconstruído, afirmaram as autoridades ucranianas nesta sexta-feira.

Ataques russos deixaram 12 mortos e 40 feridos nesta quinta-feira (19) em Severodonetsk, na região de Lugansk, de acordo com Serguiï Gaïdaï, um ataque descrito por Zelensky como "brutal e absolutamente inútil", enquanto os habitantes se esconderam nos porões, descrevendo um interminável calvário de terror. Severodonetsk e Lyssytchansk, separadas por um rio, constituem o último reduto de resistência ucraniana na região.

Enquanto as negociações realizadas há algumas semanas sob a mediação turca estão paralisadas, a Itália indicou na sexta-feira que havia proposto a formação de um "grupo de facilitação internacional composto por organizações internacionais" como a ONU, a União Europeia e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

"O objetivo é trabalhar passo a passo (...) começando, por exemplo, com tréguas localizadas, a retirada de civis, a possibilidade de abrir corredores humanitários seguros e, depois, é claro, construir um cessar-fogo geral, depois uma paz sustentável com um verdadeiro acordo de paz", explicou o chanceler italiano, Luigi Di Maio, em Turim.

Mas, por enquanto, a guerra continua, e os países do G7 reunidos na Alemanha prometeram na sexta-feira mobilizar US$ 19,8 bilhões para ajudar a Ucrânia a "preencher seu déficit financeiro". No dia anterior, o Congresso americano liberou um pacote gigantesco de US$ 40 bilhões para a Ucrânia, com o objetivo em particular de permitir que o país se equipasse com veículos blindados e fortalecesse sua defesa antiaérea.

(Com informações da AFP)