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Grécia impede entrada de 600 migrantes, maior número desde 2020

17.fev.2016 - Membro de equipe de resgate acena para bote inflável lotado de imigrantes no norte da ilha de Lesbos, na Grécia, após a embarcação cruzar o mar Egeu, saídos da Turquia - Aris Messinis/AFP
17.fev.2016 - Membro de equipe de resgate acena para bote inflável lotado de imigrantes no norte da ilha de Lesbos, na Grécia, após a embarcação cruzar o mar Egeu, saídos da Turquia Imagem: Aris Messinis/AFP

Joël Bronner

Correspondente da RFI em Atenas 

24/05/2022 06h20Atualizada em 24/05/2022 06h52

Aproximadamente 600 pessoas, em cinco veleiros e quatro botes provenientes da Turquia, foram impedidos de atravessar o mar Egeu e de entrar na Grécia, na segunda-feira (23). De acordo com a Guarda Costeira grega, trata-se da maior tentativa de entrada no país europeu este ano. Atenas quer pressionar a Turquia para lutar contra redes de traficantes.

O aumento, nos últimos dias, do número de pessoas que tentam chegar à Europa a partir da Turquia corresponde a um movimento sazonal. Cada ano, depois do inverno, as travessias - ou tentativas - se multiplicam. Este fluxo acontece com a volta dos dias mais quentes, que começaram este ano mais cedo, em abril.

A partir deste período, a navegabilidade no mar é geralmente melhor, com ventos mais fracos, como neste momento, o que faz a travessia ser menos perigosa. O rio Evros, que fica na fronteira terrestre entre Turquia e Grécia, também representa um perigo menor, já que o nível da água é mais baixo nesta época do ano.

Expulsão de requerentes de asilo

Mais de 3.000 requerentes de asilo, segundo números oficiais gregos, chegaram ao país desde o começo do ano, 1.000 somente em abril. Esses números, ainda que em alta em relação ao ano passado, parecem relativamente baixos se comparados aos de 2020, quando milhares de pessoas chegavam todo mês à Grécia.

Além disso, durante o período entre 2015 e 2016, que ficou conhecido como "crise migratória", mais de um milhão de pessoas chegaram à Europa em apenas alguns meses.

Atualmente, essas chegadas continuam, mas são relativamente limitadas, em grande parte devido a uma política ativa de rejeição de requerentes de asilo e de migrantes pela Grécia.

Esta política não é praticamente nunca assumida oficialmente. Aos olhos da Convenção de Genebra é ilegal se recusar a estudar um pedido de asilo, o que não impede que os reenvios sejam frequentes.

Pressões sobre a Turquia

Se a Guarda Costeira grega decidiu comunicar sobre esta tentativa de passagem de 600 migrantes em um dia, é, em parte, para pressionar as autoridades turcas, acusadas de não se esforçarem para dissuadir os embarques e lutar contra as redes de traficantes.

Se as travessias aumentarem muito nos próximos meses, um cenário como o de março de 2020 pode se repetir. Na época, enquanto o presidente turco ameaçava abrir suas fronteiras, Atenas decretou uma suspensão temporária do direito ao asilo.

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