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"Conto nos dedos as executivas negras de cinema no Brasil", diz produtora brasileira em Cannes

25/05/2022 13h44

O Festival de Cannes é a exibição de mais de 100 filmes, sendo 21 na competição pela Palma de Ouro. Mas é também um momento de negócios. O Mercado do Filme de Cannes reúne todos os anos profissionais de cinema de todo o mundo que promovem uma indústria essencial para a economia, mas também para a cultura. O Brasil marca presença com um stand e neste ano, pela primeira vez, uma comitiva de sete mulheres negras brasileiras participa do evento.

O Festival de Cannes é a exibição de mais de 100 filmes, sendo 21 na competição pela Palma de Ouro. Mas é também um momento de negócios. O Mercado do Filme de Cannes reúne todos os anos profissionais de cinema de todo o mundo que promovem uma indústria essencial para a economia, mas também para a cultura. O Brasil marca presença com um stand e neste ano, pela primeira vez, uma comitiva de sete mulheres negras brasileiras participa do evento.

A comitiva é liderada por Fernanda Lomba, cofundadora do Instituto Nicho 54, e Joelma Gonzaga, produtora e coordenadora da Nicho Executiva, braço de formação do instituto criado para incrementar a inserção profissional de mulheres negras no mercado cinematográfico e audiovisual brasileiro e internacional.

Para esta edição 2022 do Marché du Film de Cannes, elas trouxeram cinco produtoras. Entre elas Yolanda Barbosa, que tem 13 anos de carreira na produção audiovisual no Rio de Janeiro, mas que pisa pela primeira vez no festival da Riviera Francesa.

"É muito importante estar aqui. Ter um programa do Brasil que pesa também no mercado internacional é de um valor extremo. É um salto quântico. Volto para casa com ideias de como produzir, formas diferentes de fazer, refletindo muito sobre o cinema do Brasil, mas também do mundo", afirma a produtora carioca.

Fernanda Lomba explica que a participação no Mercado do Filme de Cannes visa "formar lideranças executivas", criar uma "musculatura de negociação no mercado internacional", com maior autonomia, aumentar as redes de contatos e "fortalecer parcerias com outros mercados para ampliar o trabalho que fazem no Brasil".

Representatividade

A Nicho 54 nasceu em 2019 para trazer mais diversidade ao mercado audiovisual fomentando a presença negra em geral, na interseccionalidade de gênero e classe. O instituto é financiado por parceiros públicos e privados, nacionais e internacionais. A Nicho Executiva surgiu três anos depois, em 2022, diante da evidência "da ausência de mulheres negras nesse lugar de liderança executiva" no cinema brasileiro.

Fernanda Lomba percebe em Cannes que a presença de executivas negras no mercado cinematográfico internacional é representativa, mas no Brasil ela é desértica, em consequência da estrutura racial do país. "Eu vou conseguir te contar nomes de pessoas e nós deveríamos falar em números. Contamos nos dedos quantos mulheres negras autuam hoje no país, contamos em menos dedos quantas delas têm uma atuação internacional", estima.

A cofundadora da Nicho 54, que também é produtora, diz que vive um momento de expectativa da retomada de novos projetos nesse pós-pandemia. "Esse é um momento de profunda movimentação tectônica. Vivemos um contexto de empobrecimento do suporte governamental brasileiro, bastante danoso, mas por outro lado estamos vivendo uma maior presença dos canais de streaming, dos majors". Mas ela tem certeza que "seguiremos produzindo e espero que a gente siga produzindo com mais pessoas pretas numa liderança executiva e criativa dos projetos".