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"Quando, pelo amor de Deus, vamos enfrentar o lobby das armas?", pergunta Biden após ataque em escola no Texas

25/05/2022 06h54

O presidente americano, Joe Biden, fez uma declaração oficial algumas horas após o massacre que deixou 21 mortos em uma escola primária do Texas, na terça-feira (24), entre eles 19 alunos e uma professora. Visivelmente emocionado, o líder democrata disse ser necessário "enfrentar o lobby das armas" e aplicar medidas de regulamentação. O ataque é o que fez mais vítimas no país desde 2012.

O presidente americano, Joe Biden, fez uma declaração oficial algumas horas após o massacre que deixou 21 mortos em uma escola primária do Texas, na terça-feira (24), entre eles 19 alunos e uma professora. Visivelmente emocionado, o líder democrata disse ser necessário "enfrentar o lobby das armas" e aplicar medidas de regulamentação. O ataque é o que fez mais vítimas no país desde 2012.

Os Estados Unidos voltaram a ser palco do pesadelo recorrente no país de ataques armados em escolas. Um adolescente de 18 anos abriu fogo matando 21 pessoas na terça-feira. O massacre ocorreu na pequena localidade de Uvalde, situada a cerca de uma hora de distância da fronteira com o México.

"Eu esperava, quando fui eleito presidente, não ter mais que fazer isso", disse Biden ao iniciar sua declaração na Casa Branca. "Quando, pelo amor de Deus, vamos enfrentar o lobby das armas?", perguntou. O chefe de Estado foi informado do drama no avião que o trazia de volta de sua viagem à Ásia. "É hora de transformar esta dor em ação para cada pai, cada cidadão desse país", disse.

"Eu estou irado e cansado", disse. "Não me digam que não podemos fazer nada depois desta carnificina", afirmou o presidente se referindo às mortes por armas de fogo nos Estados Unidos e casos de matanças em escolas.

"Os fabricantes de armas passaram duas décadas promovendo agressivamente as armas que dão mais lucros", denunciou Biden, que também atacou a oposição republicana, que bloqueia todas suas tentativas de passar no Congresso medidas como a verificação obrigatória dos antecedentes judiciais e psiquiátricos de pessoas que compram armas. "Os que bloqueiam ou atrasam as legislações de bom senso sobre as armas", não serão esquecidos, afirmou.

O campo conservador se recusou, até agora, a aplicar uma proibição de comercialização de fuzis de assalto, armas usadas pelo exército. Este tipo de regra existiu nos Estados Unidos entre 1994 e 2004 para algumas armas semiautomáticas.

De acordo com a imprensa americana, horas depois do ataque de Uval, o senador Chuck Schumer, democrata do estado de Nova York e líder da maioria no Congresso, anunciou que começou a trabalhar para ampliar e reavivar medidas que os republicanos bloquearam no passado. Entre elas, a legislação para reforçar as verificações de antecedentes para compras de armas.

Massacre "sem sentido"

Segundo o governador do Texas, Greg Abbott, o suposto agressor, identificado como Salvador Ramos, teria atirado contra a avó antes de se dirigir à Escola Fundamental Robb, por volta do meio-dia de terça-feira. Em seguida, ele teria abandonado seu veículo e entrado no local com uma pistola e, possivelmente, também um rifle. "Atirou e matou, de forma hedionda e sem sentido", disse Abbott em coletiva de imprensa.

O governador acrescentou que o suspeito, que descreveu como um adolescente local e cidadão americano, também tinha "morrido". Segundo ele, tudo indica "que os agentes que responderam [o chamado] o mataram".

O senador estadual Roland Gutierrez, do Texas, disse à CNN que três adultos também foram mortos no ataque, citando o Departamento de Segurança Pública do Texas, embora não esteja claro se esse número inclui o atirador.

Pequenos grupos de crianças foram vistos entre os carros e ônibus estacionados, alguns de mãos dadas, enquanto saíam da escola, sob escolta policial. No local estudam alunos entre sete e 10 anos.

O ataque foi o mais mortal desde que 14 adolescentes e três adultos foram assassinados em uma escola de ensino médio em Parkland, Flórida, em 2018. Também é o pior em uma escola primária desde o tiroteio em Sandy Hook, Connecticut, em 2012, que matou 20 crianças e seis funcionários.

"Ação" para controle de armas

"Já chega", disse a vice-presidente, Kamala Harris, que também pediu uma "ação" para implementar o controle de armas."Nossos corações continuam sendo partidos", disse, ao se referir à letalidade dos ataques a tiros em escolas. "Devemos ter a coragem de agir", acrescentou.

A Casa Branca ordenou que as bandeiras sejam hasteadas a meio-mastro em sinal de luto para as vítimas, cujas mortes provocaram uma onda de comoção no país. Mais de 500 crianças, quase 90% delas de origem latina, estudavam na escola durante o ano letivo 2020-2021, segundo dados estaduais.

Medidas concretas

O senador Ted Cruz, um republicano do Texas, tuitou que ele e sua esposa estavam orando pelas crianças e suas famílias "no horrível ataque a tiros em Uvalde".

Já o senador Chris Murphy, um democrata de Connecticut, onde ocorreu o ataque em Sandy Hook, fez um apelo emocionado a seus colegas para que tomem medidas concretas para evitar mais violência.

"Isso não é inevitável, essas crianças não tiveram má sorte. Isso só acontece neste país. Em nenhum outro lugar as crianças pequenas vão à escola pensando que poderiam receber um disparo", disse Murphy, ao acrescentar que é preciso "encontrar uma maneira de aprovar leis que tornem isso menos provável".

Apesar dos ataques a tiros em massa recorrentes e de uma onda nacional de violência armada, múltiplas iniciativas para reformar as regulações sobre armas fracassaram no Congresso nos Estados Unidos, permitindo aos legislativos estaduais e locais promulgarem suas próprias restrições.

O lobby da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) é muito forte nos Estados Unidos e trabalha contra a aprovação de leis mais estritas sobre armas. Um exemplo da influência da organização no Congresso e no meio político americano: Greg Abbott e Ted Cruz figuram como oradores em um conferência organizada pelo poderoso grupo lobista em Houston, Texas, no fim desta semana.

Os Estados Unidos registraram 19.350 homicídios com armas de fogo 2020, quase 35% a mais do que em 2019, segundo os dados oficiais.