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Rússia não vai ganhar a guerra, diz chanceler alemão em Davos

26/05/2022 12h00

O chanceler alemão, Olaf Scholz, disse nesta quinta-feira (26) estar "convencido" de que o presidente russo não ganhará a guerra na Ucrânia, que teve início em 24 de fevereiro. Ele também afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, não estava autorizado a "ditar" a paz. 

O chanceler alemão, Olaf Scholz, disse nesta quinta-feira (26) estar "convencido" de que o presidente russo não ganhará a guerra na Ucrânia, que teve início em 24 de fevereiro. Ele também afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, não estava autorizado a "ditar" a paz. 

"Putin não deve ganhar essa guerra e estou convencido de que ele não ganhará", disse o chanceler durante um discurso no Fórum Econômico de Davos", na Suíça. "O presidente russo, que iniciou a invasão há mais de três meses, já falhou em seus objetivos estratégicos", declarou. 

Para o chanceler alemão, a invasão de toda a Ucrânia é hoje "uma possibilidade ainda mais remota do que no início da ofensiva." Segundo ele, isso se deve à resistência das forças ucranianas e à reação dos aliados ocidentais, que impuseram sanções sem precedentes contra Moscou e apoiaram Kiev, inclusive em termos militares. "Não fazemos nada para que a Otan entre na guerra. Isso significaria um confronto direto entre potências nucleares", reiterou. 

De acordo com Scholz, as ações dos países membros da Otan visam fazer Putin entender que não "poderá ditar a paz", insistiu. "Para mim, está claro que Putin não negociará seriamente a paz se ele não perceber que não pode lutar contra a resistência ucraniana", acrescentou o chanceler.

Scholz não comentou as críticas feitas ao governo alemão, acusado de ter "economizado" no envio de equipamentos bélicos, como tanques de combate. Após cinco dias no Fórum Econômico Mundial, que terminou nesta quinta-feira, os ucranianos voltaram para casa sem as armas pesadas que exigiam ou novas sanções contra Moscou.  

Embora nenhum grande anúncio fosse esperado em Davos, a cúpula deu à Ucrânia a oportunidade de pressionar pessoalmente os líderes políticos e empresariais por ajuda urgente após três meses de combates.

O ministro ucraniano das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, não escondeu sua frustração em relação à obtenção de mais armamentos. "Nós reconhecemos todos os esforços feitos pelo governo alemão para obter armas pesadas para permitir à Ucrânia que se defenda", declarou. "Não entendo porque isso é tão complicado", comentou.  

Combates estão concentrados no leste

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, está preocupado com o avanços das tropas de Putin. Os combates estão atualmente concentrados no leste do país, onde as forças russas tentam controlar a cidade de Severodonetsk.   A cidade é fundamental para o controle total sobre o Donbass, uma zona de mineração parcialmente ocupada desde 2014 por separatistas pró-Rússia apoiados por Moscou.

A Ucrânia espera receber unidade móveis capazes de enviar vários foguetes simultaneamente. "Esta é a arma que nós precisamos", disse  Kuleba. "A batalha para adquirir o controle do Donbass se parece muito com os combates na Segunda Guerra Mundial", explicou em uma coletiva de imprensa. Algumas cidades viraram ruínas, atingidas pelos tiros de artilharia russos e sistemas de  lançamento de múltiplos foguetes.

Segundo a presidência ucraniana, nas últimas 24 horas, pelo menos três pessoas morreram na região de Lougansk, incluindo quatro civis em Donestk. Em Kharhiv, no nordeste, um bombardeio deixou duas vítimas em Balakliya e, no sul em Mykolaïv, outras duas pessoas foram vítimas de bombardeios. 

"Crimes de guerra russos"

O fórum foi também uma oportunidade para promover a candidatura da Ucrânia à União Europeia. Autoridades e legisladores ucranianos aproveitaram a ocasião para se reunir com executivos para buscar ajuda na reconstrução do país. Outra preocupação foi o bloqueio russo que impede a Ucrânia, que já foi o celeiro do mundo, de exportar seu trigo para os países mais dependentes.

Os ucranianos lembraram ao mundo as atrocidades do conflito. Após a exclusão dos russos do Fórum, o que havia sido em anos anteriores a Casa da Rússia, um lugar para promover o país, foi simbolicamente convertida na "Casa dos Crimes de Guerra Russos", com as paredes cobertas de fotos das atrocidades atribuídas às forças russas. Zelensky usou o fórum para exortar o Ocidente a mostrar mais unidade com a Ucrânia, criticando a Hungria por atrasar o embargo da União Europeia ao petróleo russo.

(Com informações da AFP)