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Imprensa independente russa se refugia na Letônia para escapar da censura

Leis rígidas contra a imprensa amedrontam o trabalho de jornalistas que não estejam alinhados a Moscou. - Reprodução
Leis rígidas contra a imprensa amedrontam o trabalho de jornalistas que não estejam alinhados a Moscou. Imagem: Reprodução

27/05/2022 15h44

Os Estados bálticos se tornaram um refúgio para jornalistas russos que fogem de seu país. Para a imprensa independente, tem sido impossível trabalhar na Rússia, desde o início da invasão da Ucrânia. Moscou aprovou novas leis que impõem pesadas penas de prisão para a publicação do que o governo considera ser "informação falsa".

Os Estados bálticos se tornaram um refúgio para jornalistas russos que fogem de seu país. Para a imprensa independente, tem sido impossível trabalhar na Rússia, desde o início da invasão da Ucrânia. Moscou aprovou novas leis que impõem pesadas penas de prisão para a publicação do que o governo considera ser "informação falsa".

Com informações de Marielle Vitureau, correspondente da RFI em Riga

Já era para os países bálticos que os dissidentes russos haviam se voltado após a anexação da Crimeia, em 2014. Atualmente, é lá que os jornalistas russos se estabelecem para poder trabalhar livremente. Um jornal moscovita que encerrou sua publicação no fim de março na Rússia se instalou em abril em Riga, capital da Letônia, dentro do prédio de uma revista local, ao lado de "Milda", a estátua da liberdade da cidade.

"Publicamos o primeiro número, mas não estamos pensando em publicações diárias ou semanais. Queríamos apenas mostrar à sociedade e aos dirigentes russos que continuamos vivos. Esta é uma edição prioritariamente antiguerra", diz o editor-chefe do jornal de Moscou. Para chegar aos leitores russos, a equipe de jornalistas aposta na internet ou em aplicativos como o Telegram, redes que ainda não são proibidas na Rússia.

Dentro da tradição do jornalismo militante, o editor-chefe se mudou com a equipe para Riga com um objetivo preciso. "Minha estratégia é transformar o jornal em uma voz para os russos pró-europeus de ambos os lados da fronteira. Gostaríamos de recriar uma Rússia extraterritorial que seria como uma parte da comunidade europeia. Eu sei que milhões de pessoas que falam russo apoiam a Ucrânia e a União Europeia nesta guerra", afirmou.

Também os jornalistas do Moscow Times se instalaram em Riga, na Letônia. "Ontem escrevi um artigo sobre a propaganda russa nas escolas e sobre uma Ong que ajuda os ucranianos a fugirem da Rússia", diz uma repórter de 27 anos. "Continuo a cobrir a guerra e todos os assuntos correlacionados", declarou.

Censura

Já quem ficou na Rússia, conta que a situação não está fácil para a imprensa. "Dia após dia, fica mais difícil de manter nossa rede de repórteres", conta o editor russo que se mudou para Riga. "As pessoas não têm mais o direito de se apresentarem como jornalistas. Eles viraram uma espécie de agentes, não têm mais direito a credenciais e perderam seu estatuto legal; muitas vezes, eles permanecem anônimos e, em alguns casos, não conseguimos pagar seus salários", relatou.

A Estônia, país vizinho, também começou a acolher a imprensa independente russa. Um jornalista de um site investigativo que faz verificação de notícias conseguiu fazer uma parceria com um site da Estônia, mas a vida é difícil porque os países bálticos não oferecem visto de trabalho aos russos, apenas em "situações humanitárias". "Minha estadia aqui tem sido complicada pela jurisdição local e não sei como agora conseguirei ficar mais de um ano aqui. Meu site pode ser registrado no país, mas enquanto eu não tiver um visto, nada feito", afirmou.

Segundo o jornalista russo Denis Kataev, "no momento é impossível ser jornalista em uma mídia independente na Rússia". "Hoje em dia, é perigoso fazer este trabalho. A lei contra informações enganosas, contra notícias falsas, foi adotada pelo Parlamento russo e desde então você pode ser acusado pelo simples uso da palavra 'guerra'. É uma "operação militar" e é isso. Neste contexto, você pode ser condenado a quinze anos de prisão. Além disso, há a lei sobre traição, que prevê vinte anos de prisão, disse em entrevista à RFI.

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