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Após eleições, Macron reconhece divisões 'profundas' na França e se dispõe a negociar com todos os partidos

Em abril, presidente da França, Emmanuel Macron, foi reeleito com 58% dos votos - Gonzalo Fuentes/Reuters
Em abril, presidente da França, Emmanuel Macron, foi reeleito com 58% dos votos Imagem: Gonzalo Fuentes/Reuters

Da RFI

22/06/2022 16h04Atualizada em 22/06/2022 16h33

O presidente francês, Emmanuel Macron, fez um discurso em rede nacional na noite desta quarta-feira (22) para comentar os resultados da eleição legislativa de domingo. O chefe de Estado, que perdeu a maioria absoluta nas urnas, rejeitou a ideia de um governo de união nacional e se mostrou aberto para trabalhar com os partidos da oposição durante seu mandato.

Após parabenizar rapidamente os deputados que acabam de ser eleitos, Macron disse que "não foi possível ignorar a forte abstenção" que marcou o pleito, no qual 53,77% dos 48,7 milhões de franceses convocados às urnas não foram votar.

"Também não posso ignorar as fraturas e as divisões profundas" mostradas pela eleição legislativa, insistiu o chefe de Estado. Segundo ele, é importante "levar em conta a vontade de mudança" expressada pela população nas urnas.

O presidente, que foi reeleito em abril, tentou relativizar o resultado das urnas na eleição legislativa de 12 e 19 de junho, quando perdeu a maioria absoluta, lembrando que outros países, como a Alemanha, já viveram períodos de incerteza após um pleito.

No entanto, o chefe de Estado francês, que recebe desde segunda-feira os representantes das principais forças políticas do país, descartou a possibilidade de um governo de união nacional, como chegou a ser cogitado nos últimos dois dias. Segundo ele, "a maior parte [dos chefes de partido com quem se reuniu] excluiu essa hipótese".

"Nenhuma força política pode fazer as leis sozinha"

"Teremos que aprender a governar e legislar de outra maneira, construindo formações políticas que constituirão a nova Assembleia com novos compromissos", disse Macron. "Para isso, teremos que esclarecer nos próximos dias a parte de responsabilidade e de cooperação que as diferentes formações políticas da Assembleia nacional estão dispostas a assumir (...) Para avançar de forma útil, cada grupo político terá de dizer, de maneira transparente, até onde está disposto a ir", completou o disse o chefe de Estado, em uma demonstração de abertura, mas também em uma tentativa de mobilização dos opositores em um movimento coletivo. "Nenhuma força política pode fazer as leis sozinha", insistiu.

Macron, que participa nos próximos dois dias de uma reunião de cúpula da União Europeia, que a França preside até o final do mês, disse que começará a "construir esse método de uma nova configuração", logo que retornar de Bruxelas. No entanto, o chefe de Estado já avisou que vai anunciar rapidamente medidas concretas, inclusive com uma lei visando melhorar o poder aquisitivo, uma das prioridades da população, segundo várias pesquisas.

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