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"Esse disco celebra meu encontro, admiração e gratidão pela África", diz Chico César sobre novo álbum

23/06/2022 16h05

Uma profusão de ritmos e encontros para celebrar o pan africanismo. Essa é a tônica de Vestido de Amor, o 10° álbum do cantor e compositor Chico César e o primeiro a ser totalmente produzido no exterior. Mas o trabalho feito apenas com músicas inéditas também traz uma canção de forte apelo político para denunciar "o neofascismo que se instalou no Brasil", segundo o cantor e compositor paraibano.

Uma profusão de ritmos e encontros para celebrar o pan africanismo. Essa é a tônica de Vestido de Amor, o 10° álbum do cantor e compositor Chico César e o primeiro a ser totalmente produzido no exterior. Mas o trabalho feito apenas com músicas inéditas também traz uma canção de forte apelo político para denunciar "o neofascismo que se instalou no Brasil", segundo o cantor e compositor paraibano.

Chico César recebeu o convite do selo Zamora para produzir um disco na França. O álbum, que reuniu músicos brasileiros, africanos e franceses, é formado por canções inéditas, algumas delas compostas durante os momentos mais críticos da crise sanitária da Covid-19. "Compus muito durante a pandemia, primeiro no Brasil. Flor do Figo, canção que abre o disco, foi feita quando estava sentado na cama, durante a pandemia. Ali eu senti que estava nascendo algo novo dentro de mim, que vinha um disco por aí", contou na entrevista à RFI Brasil.

Na sequência, Chico César compôs outras músicas durante uma estada no Uruguai.  Para a gravação, ele cruzou o Oceano Atlântico e se instalou em Carpentras, sul da França, onde há exatamente um ano realizou as gravações. A finalização veio depois, na capital francesa.

Apesar de canções inéditas, o novo álbum mantém a fidelidade à diversidade musical que acompanha sua trajetória desde o início de carreira. As 11 faixas do novo álbum trazem uma profusão de ritmos que vão do forró nordestino ao reggae jamaicano, passando pelo calipso, a rumba zairense, o coco e o rock urbano. E o artista brasileiro fez questão de estar mais uma vez acompanhado de dois grandes nomes da música africana.

O maliano Salif Keita, homenageado por Chico César desde o seu primeiro disco, participa da faixa SobreHumano. O artista africano seduziu o paraibano durante uma viagem pela Espanha. "Quando ouvi pela primeira vez a voz de Salif Keita fiquei mesmerizado. Para mim ele é como Milton Nascimento, uma voz muito especial. Eu coloquei Salif Keita no mesmo patamar de Prince. 'Quando eu vi Prince, dancei. Quando ouvi Salif Keita, dancei'. Isso ajudou muito a dizer ao Brasil da existência de uma cena pop africana", explica.

Chico César também se apresentou em diversos palcos com o pianista congolês Ray Lema, que participa do disco na faixa Xangô Forró e Aí.  "Ele é como meu irmão mais velho. Desde que nos encontramos pela primeira vez, nunca mais quisemos nos separar", diz.

"Esse disco celebra meu encontro, admiração e gratidão pelo que a África me dá e me faz ser", resume. "Como esse projeto foi feito aqui na França com músicos que trabalham com essas matrizes africanas, isso fica muito transparente e fico feliz que apareça dessa forma", acrescenta.  

 

"Bolsominions" 

O lançamento integral do álbum Vestido de Amor' está previsto para setembro, data do início de uma turnê que passará por Portugal, Espanha e França. Mas até lá, a divulgação do novo trabalho é feita por etapas. Nesta sexta-feira (24) a música que dá novo ao disco será apresentada oficialmente nas plataformas musicais.

Na sequência, será a vez do single Bolsominions, com lançamento programado para agosto, em plena campanha eleitoral no Brasil. A faixa é uma crítica contundente aos partidários e ao que representa o governo do presidente Jair Bolsonaro. 

"Essa música diz muito sobre a atitude necessária para enfrentar o neofascismo, que começou a se instalar e ganhar muito espaço no Brasil a partir do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff", explica. Ele lembra que durante a primeira votação pela destituição na Câmara dos Deputados, o então deputado federal Jair Bolsonaro dedicou seu voto ao coronel Brilhante Ulstra, reconhecido na justiça como torturador durante o regime militar no país (1964 - 1985). "Ele não saiu preso daquela votação, o que seria normal e natural, porque tortura é crime em todos os lugares civilizados do mundo. Pelo contrário, a partir dali ele ganhou notoriedade e se tornou presidente do Brasil através do voto muito manipulado por fake news e invencionices", denuncia.

"O Brasil inteiro percebe hoje que o país foi caindo pouco a pouco na sua própria autoestima, na distribuição de riquezas, nas garantias dos direitos trabalhistas, no espaço de respeito à diversidade humana, seja de gênero, de respeito às mulheres, de direitos raciais. O Brasil passou a ignorar todos esses direitos conquistados duramente, não apenas pelos brasileiros, mas pela humanidade", insiste.

"Essa canção diz que existe o Bolsonaro, mas também os Bolsominions, que são os 'minions' que seguem o Bolsonaro e acreditam em tudo o que ele diz, mas o que é pior: que pensam como ele. Mas felizmente, tenho certeza, que a final desse ano os brasileiros olharão para o Brasil com um jeito diferente e mais otimista, e que o mundo olhará para nós de outra forma", diz em referência às eleições de outubro para escolha de um novo presidente para o país.