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Afeganistão: após forte terremoto, desafio agora é ajudar feridos e desabrigados

22.jun.2022 - Casas danificadas são retratadas após um terremoto no distrito de Gayan, província de Paktika, no Afeganistão - AFP
22.jun.2022 - Casas danificadas são retratadas após um terremoto no distrito de Gayan, província de Paktika, no Afeganistão Imagem: AFP

Sonia Ghezali

24/06/2022 11h03

As equipes de resgate encerraram nesta sexta-feira (24) as buscas meio aos escombros deixados pelo terremoto que atingiu o sudeste do Afeganistão na última quarta-feira (22). O socorro para os sobreviventes chegava com dificuldade nesta sexta-feira. O último balanço era de pelo menos mil mortos.

O regime talibã, sobrecarregado, pede ajuda à comunidade internacional diante da escala da destruição - 1,5 mil casas atingidas - e da falta de produtos de necessidade básica no local.

Dois dias após o terremoto mais mortal dos últimos 20 anos no Afeganistão, que atingiu a magnitude de 5,9, a população da província de Paktika acordou esta manhã com novos tremores, mais leves. Por duas vezes, a terra tremeu por alguns segundos.

Esses pequenos abalos em nada lembram o violento tremor que a população sentiu há duas noites nessa província. E é sob os estragos causados pelo terremoto que vivem centenas de pessoas, que perderam suas casas construídas com terra, que desabaram na noite de quarta-feira.

Os moradores dos vilarejos passam a noite ao relento, sem comida, água, cobertores ou abrigos de emergência, em uma região montanhosa onde as noites são frias e úmidas. Ajudar essas populações atingidas pelo desastre é agora uma questão de urgência. Mas levar essa ajuda é um outro um desafio nessa área de difícil acesso com montanhas íngremes.

A reportagem da RFI esteve no distrito de Urgon, onde os habitantes se organizam para fornrcer alimentos por seus próprios meios às populações afetadas.

População traumatizada e ao relento

A população local ainda está em estado de choque. Os distritos de Gayan e Barmal também foram bastante afetados. Desde a manhã desta sexta-feira, caminhões da ONU, carregados de suprimentos, seguem para o local.

Najubullah, supervisor de operações de emergência, esteve nesses distritos. "A população local está abalada, depressiva, as pessoas estão traumatizadas. Não têm abrigo, não têm comida, não têm água, não têm cobertor, só têm a roupa que vestem. Eles não têm mais nada. Alguns fizeram abrigos muito pequenos com restos de madeira e pedaços de plástico", ele relata.

No hospital de Urgon, uma dúzia de médicos especialistas acaba de chegar como reforço. São todos voluntários. Mohammad Qadim vem da província vizinha de Khost. "Cerca de 90% das lesões são fraturas. Por isso viemos aqui. Somos uma equipe inteira. Temos cirurgiões gerais, oftalmológicos e ortopédicos para intervir em fraturas ósseas. Viemos para ajudar as pessoas", declarou.

Todos os feridos foram transportados de avião para hospitais provinciais. A urgência agora é socorrer as populações afetadas que retornaram às suas aldeias e cujas casas foram destruídas.

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