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Julgamento de atentados de Paris termina; terrorista fala pela última vez antes do veredicto

27/06/2022 09h10

O julgamento dos atentados terroristas que mataram 130 pessoas em 13 de novembro de 2015 em Paris e Saint-Denis, na periferia da capital francesa, terminou nesta segunda-feira (27), após quase dez meses de processo. Os réus falaram pela última vez antes de se conhecer o veredicto, que deve ser anunciado na quarta-feira (29). 

O julgamento dos atentados terroristas que mataram 130 pessoas em 13 de novembro de 2015 em Paris e Saint-Denis, na periferia da capital francesa, terminou nesta segunda-feira (27), após quase dez meses de processo. Os réus falaram pela última vez antes de se conhecer o veredicto, que deve ser anunciado na quarta-feira (29). 

O jihadista Salah Abdeslam, único integrante vivo do grupo que espalhou terror no Stade de France, em restaurantes da capital e na casa de espetáculos Bataclan, foi um dos últimos a falar perante o Tribunal Especial de Paris. 

"Eu reconheci que não sou perfeito, que cometi erros, é verdade, mas não sou um assassino, não sou um homicida", afirmou o francês de 32 anos. "Se vocês me condenarem por assassinato, estarão cometendo uma injustiça", acrescentou, antes de deixar a sala. Abdeslam pode ser condenado à prisão perpétua sem direito a liberdade condicional, a maior pena prevista pela justiça francesa.

Nesta segunda-feira, Abdeslam pediu novamente desculpas aos sobreviventes e parentes das vítimas: "Alguns dirão que não são sinceras, que é uma estratégia (...) como se as desculpas pudessem ser insinceras diante de tanto sofrimento". 

Alguns familiares de vítimas e sobreviventes que assistiram ao julgamento notaram uma leve mudança de comportamento do jihadista ao longo dos dez meses de audiências. Outros acreditam que ele está apenas com medo, ao se dar conta de que pode passar o resto da vida na cadeia. Em seu primeiro interrogatório no início do ano, ele disse que era alvo de "calúnias" e declarou que "amava o Estado Islâmico". 

Em meados de abril, ao longo de três dias de interrogatório, Abdeslam sustentou a versão de que iria detonar seu cinturão de explosivos em um bar do 18º distrito de Paris, mas que teria "desistido" da ação ao chegar ao local e ver muitos jovens que se pareciam com ele e se divertiam. "Você se arrepende de não ter tido coragem de ir até o fim?", perguntou na época Olivia Ronen, uma das advogadas do jihadista. "Não me arrependo, não matei aquelas pessoas e não morri", respondeu ele. Nessa audiência, ele pediu desculpas às vítimas pela primeira vez

"Arrependimentos"

Durante as alegações finais, na última sexta-feira (24), os advogados do francês afirmaram que a prisão perpétua seria "uma pena de morte social" e uma sentença "excessiva". Eles destacaram o fato de Abdeslam ter desistido de explodir a carga presa ao seu corpo na noite dos ataques.

Os outros réus também insistiram nos "arrependimentos" e "pedidos de desculpas". Alguns expressaram "condolências" às vítimas e agradeceram a seus advogados. Muitos afirmaram "confiar na justiça".

Além da centena de mortos, os atentados de 13 de novembro deixaram mais de 400 feridos. Muitos sobreviventes assistiram ao julgamento em busca de explicações para o comportamento de selvageria dos extremistas islâmicos.

Sentenças

A audiência foi suspensa e será retomada na quarta-feira a partir das 17h (12h de Brasília), quando se espera o veredicto, anunciou o juiz Jean-Louis Périès, ao final do 148º dia do processo. As penas solicitadas contra os 20 acusados vão de cinco anos de prisão até prisão perpétua sem liberdade condicional para Abdeslam e dois ex-dirigentes do grupo Estado Islâmico, que são dados como mortos na região da Síria e Iraque.

O plano dos atentados mais sangrentos da história da França foi executado por dez terroristas, nove deles suicidas. A maioria tinha 20 e poucos anos à época. Eles foram criados na França e na Bélgica e tinham retornado de campos de treinamento do grupo Estado Islâmico no Iraque e na Síria, que reivindicou a série de ataques. Na época, uma coalizão internacional lutava contra o grupo extremista nas áreas que tinham conquistado no Oriente Médio. Fugindo do conflito, milhares de sírios chegaram ao continente europeu.