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Presidente do Equador cede a manifestantes indígenas e reduz preços dos combustíveis

27/06/2022 06h23

O presidente do Equador, Guillermo Lasso, cedeu aos protestos dos povos indígenas no domingo (26) e anunciou uma redução dos preços dos combustíveis, a principal reivindicação das manifestações que sacodem o país há duas semanas. O debate iniciado no Congresso sobre um possível impeachment de Lasso foi determinante para a decisão do presidente conservador. 

O presidente do Equador, Guillermo Lasso, cedeu aos protestos dos povos indígenas no domingo (26) e anunciou uma redução dos preços dos combustíveis, a principal reivindicação das manifestações que sacodem o país há duas semanas. O debate iniciado no Congresso sobre um possível impeachment de Lasso foi determinante para a decisão do presidente conservador. 

O governo do ex-banqueiro cedeu a uma redução de 10 centavos de dólar nos combustíveis, o que faz o preço do diesel baixar para US$ 1,80 e a gasolina comum para US$ 2,45. A porcentagem é inferior à reivindicada pelos povos indígenas, que exigem o diesel a US$ 1,50 e a gasolina a US$ 2,10, respectivamente. Em menos de um ano, o preço do diesel subiu 90% no Equador e o da gasolina 46%. 

Os bloqueios de estradas e a ocupação de poços de petróleo por manifestantes passaram a ameaçar a produção do produto, que é o principal item de exportação do Equador. De acordo com o governo, se os protestos continuarem, a produção de petróleo poderia parar nas próximas 48 horas.

"Os equatorianos que buscam o diálogo encontrarão um governo com a mão estendida. Aqueles que procuram o caos, a violência e o terrorismo encontrarão toda a força da lei", disse Lasso, ao anunciar a redução nos preços dos combustíveis. O presidente se pronunciou algumas horas depois de o Congresso retomar o debate sobre sua eventual destituição. Sem muito apoio político, Lasso conta, por enquanto, com a proteção dos militares.   

Desde o início da mobilização, em 13 de junho, os confrontos entre as forças de segurança e manifestantes deixaram seis mortos e mais de 400 feridos. Quito está em grande parte paralisada e seus acessos foram bloqueados por inúmeras barreiras instaladas nas estradas. Os manifestantes tentaram duas vezes, na quinta (23) e sexta-feira (24), entrar no prédio da Assembléia Nacional, mas foram impedidos pela polícia.

No domingo, pelo segundo dia consecutivo, o Congresso debateu a possibilidade de destituir o presidente conservador. Uma ala da oposição considera Lasso responsável pela "grave crise política e comoção interna" que atinge o país desde meados do mês, com manifestações e bloqueios quase diários. Após sete horas de deliberações, a sessão foi adiada para terça-feira (28) às 11 horas locais porque 20 deputados ainda aguardavam para falar, do total de 84 inscritos na agenda. 

A bancada da Unión por la Esperanza (União pela Esperança), que apoia o ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), convocou o debate contra Lasso, que vê a pressão social como uma tentativa de golpe. O impeachment do presidente exige 92 dos 137 votos possíveis no Congresso, onde a oposição tem a maioria, embora esteja fragmentada. Uma vez encerrados os debates, os deputados terão no máximo 72 horas para votar.

Líder indígena diz que luta irá continuar

Há duas semanas, cerca de 14.000 indígenas protestam em todo o país para exigir medidas do governo que possam atenuar a pobreza em seus territórios agrícolas.  "Amanhã vamos nos reunir para continuar lutando nas ruas", anunciou o líder das manifestações, Leonidas Iza, com um megafone na mão, em um parque central em Quito. 

Os protestos são organizados pela poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), que já derrubou dois presidentes equatorianos no passado. Depois de iniciarem marchas na região amazônica em direção à capital, cerca de 10.000 manifestantes se encontram em Quito, onde intensificam a pressão contra as autoridades. A Conaie tem uma lista de dez reivindicações ao governo.

O palácio presidencial permanece protegido por cercas metálicas, arame farpado e tropas policiais. Um dos acessos ao edifício adverte: "Em caso de entrada não autorizada, será utilizada força letal".

No sábado (25), Lasso ordenou o fim do estado de emergência que impôs um toque de recolher noturno e militarizou a cidade. Entretanto, o centro da capital ainda é fortemente vigiado pelas forças de segurança.

Organizações internacionais e de direitos humanos pedem o fim da violência. No domingo, o papa Francisco fez um apelo ao "diálogo" e à "paz social". "Eu encorajo todas as partes a abandonarem a violência e as posições extremas", escreveu ele no Twitter.

Ao mesmo tempo, a rebelião indígena agita as ruas aos gritos de "Fora Lasso". Se a destituição do ex-banqueiro for aprovada, o poder será assumido pelo vice-presidente, Alfredo Borrero, e eleições presidenciais e legislativas serão convocadas para o restante do mandato, até 2025.

O Equador ganhou uma reputação de ingovernabilidade após a saída repentina de três presidentes, entre 1997 e 2005, diante da pressão social. Os protestos indígenas atuais são considerados os maiores da história recente do país.

(Com informações da AFP)