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Filho de Bin Laden radicado na Normandia exibe pinturas em feira de antiguidades

01.07.22 - Omar bin Laden, filho de Osama Bin Laden, com seu trabalho na Arielle Brocante, em Le Teilleul, França. - Jean-François MONIER / AFP
01.07.22 - Omar bin Laden, filho de Osama Bin Laden, com seu trabalho na Arielle Brocante, em Le Teilleul, França. Imagem: Jean-François MONIER / AFP

02/07/2022 12h56

O saudita Omar Bin Laden, filho do líder da Al-Qaeda morto a tiros no Paquistão pelas forças especiais americanas em 2011, faz sua segunda exposição de pinturas na França. Radicado na região da Normandia há seis anos, OBL, como assina seus quadros, começou a pintar durante o confinamento contra a Covid-19 e tem despertado crescente interesse em todo o mundo.

O filho de 41 anos de Osama Bin Laden, mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, exibe cerca de 30 telas em uma feira de antiguidades na localidade de Le Teilleul, na Normandia. As obras retratam paisagens que marcaram a infância do saudita. Alguns elementos são recorrentes nas telas, como montanhas ou o céu tingidos de vermelho-sangue, acampamentos no deserto ou navios navegando sob a luz da lua.

Omar passou os primeiros anos de sua vida na Arábia Saudita. "Depois, aos 10 anos, mudei com meu pai para o Sudão e quatro anos mais tarde seguimos para o Afeganistão", conta. Esses dois países deixaram marcas no então adolescente. O vermelho-sangue das montanhas é o Afeganistão, "um país magnífico", afirma.

"Vermelho significa sofrimento, guerra, bombardeio, morte: é isso que significa (...) Foi o período mais difícil da minha vida", recorda. Um quadro "torna-se uma parte de você", analisa OBL, acrescentando que algo dele "vive no Afeganistão".

Depois de passar cinco anos neste país, do qual ele tem lembranças deslumbrantes, Omar deixou o pai aos 19 anos de idade e começou uma vida de itinerância. Ele morou em vários países árabes, retornando inclusive à Arábia Saudita, até chegar à Normandia, em 2016.

Artista tardio

Omar conta que começou a pintar por acaso. "Estávamos em casa durante o confinamento, sem ter muita coisa para fazer. Minha esposa estava pintando e eu decidi tentar", diz ele, falando em inglês. De físico alto, cabelos crespos que chegam à altura dos ombros e barba grisalha, o filho de Bin Laden aprendeu a pintar pela internet. "Aprendi vendo pessoas no YouTube (...) e me apaixonei pela arte", afirma. A pintura acabou se tornando a atividade "mais interessante" que exerce. "Quando você consegue expressar o que quer, você se sente muito feliz", diz ele.

No ano passado, uma primeira exposição foi interrompida em decorrência do confinamento. Desta vez, a maioria dos quadros expostos em Teilleul, cujas dimensões raramente ultrapassam 60x80 centímetros, parecem ser reminiscências da infância e adolescência do autor.

"Desde a publicação das primeiras reportagens temos vendido muito, em todo o mundo", diz o expositor Pascal Martin. Alguns quadros foram reservados antes da abertura da exposição (...) O nome de Bin Laden vende", observa o vendedor de antiguidades. Os preços variam de 750 a 800 euros para as telas de pequena dimensão e de 2.000 a 2.500 euros para as maiores.

O artista afirma que se sente "em paz" quando pinta. "Eu me sinto mais feliz quando o trabalho fica bom. Se não fica, eu sempre começo de novo", diz Omar Bin Laden, exibindo um de seus raros sorrisos.

Longe das cidades, que ele diz detestar, este amante da natureza, de espaços amplos e da liberdade desfruta de sua nova vida na França. "Às vezes, você é julgado pela imagem do seu pai", diz ele, referindo-se principalmente aos países árabes onde ele morou depois de deixar o Afeganistão. "Mas aqui, eu me sinto muito livre. Sinto-me livre da responsabilidade das ações de meu pai (...) Ninguém me julga, eles me respeitam e me deixam em paz", afirma. E se alegra ao concluir: "Na França, eu me tornei um artista!".

*Com informações da AFP

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