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Retrocesso sobre aborto nos EUA pode impactar outros países, teme líder de protestos na França

02/07/2022 16h44

As manifestações para defender o direito ao aborto e demonstrar solidariedade com as mulheres americanas reuniram, neste sábado (2), ao menos 6.500 manifestantes em várias cidades francesas. À frente do protesto ocorrido em Paris, Suzy Rojtman, membro do coletivo "Aborto na Europa - as mulheres decidem", disse temer que outros países sejam impactados pelo retrocesso imposto pela Suprema Corte nos Estados Unidos. 

As manifestações para defender o direito ao aborto e demonstrar solidariedade com as mulheres americanas reuniram, neste sábado (2), ao menos 6.500 manifestantes em várias cidades francesas. À frente do protesto ocorrido em Paris, Suzy Rojtman, membro do coletivo "Aborto na Europa - as mulheres decidem", disse temer que outros países sejam impactados pelo retrocesso imposto pela Suprema Corte nos Estados Unidos. 

Na avaliação da militante pró-aborto, "devido à importância dos Estados Unidos no mundo", o direito à interrupção da gravidez está ameaçado em todas as regiões. A ativista Suzy Rojtman teme que outros países se inspirem na decisão adotada pelos juízes conservadores dos EUA, com o objetivo de "negar esse direito fundamental das mulheres".

Em Paris, a manifestação reuniu cerca de 1.500 pessoas, segundo dados divulgados pelo Ministério do Interior. Homens e mulheres estavam presentes, a maioria muito jovens. Durante a passeata, as participantes entoaram palavras de ordem como "De Nova York a Paris, aborto livre e gratuito", "O aborto salva vidas", "Mantenha suas leis longe do meu corpo", "Nós lutamos para conquistar o aborto, vamos lutar para preservá-lo" ou "Deixem as mulheres em paz". Vários cartazes estavam escritos em inglês.

Uma adolescente de 16 anos, Thais, segurava um pedaço de papelão com uma frase que confirma o temor de muitas feministas. O texto dizia "130 centros de interrupção voluntária da gravidez (IVG) fecharam em 15 anos" na França. A jovem tem medo de "um efeito bola de neve".

Em 24 de junho, a Suprema Corte de maioria conservadora dos EUA revogou o decreto Roe versus Wade, que reconhecia o aborto como um direito protegido pela Constituição americana em todo o país, desde 1973. Com a anulação deste decreto, cada um dos 50 estados americanos poderá se pronunciar da forma que bem entender sobre o aborto. A metade dos estados, de acordo com o instituto Guttmacher, principalmente os governados por republicanos no sul e no centro do país, já decidiram proibir o aborto ou vão fazê-lo nos próximos dias. 

O coletivo "Aborto na Europa - as mulheres decidem" obteve a adesão de várias ONGs feministas, sindicatos e partidos políticos para organizar uma série de ações em defesa desse direito fundamental das mulheres. Ante a ameaça de um retrocesso na França, que descriminalizou a interrupção voluntária da gravidez em 1975, dois partidos franceses passaram a defender a transposição do direito ao aborto para a Constituição francesa. O tema está em debate no Parlamento e na sociedade.

As 30 manifestações organizadas pelo coletivo neste sábado em todo o território francês reuniram cerca de 6.500 mulheres, segundo dados do Ministério do Interior. 

Com informações da RFI e AFP