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Itália decreta emergência devido à seca; maior rio do país vive pior baixa em 70 anos

Uma embarcação foi encontrada em Gualtieri, na Itália, devido à seca no Rio Pó. - Reprodução/Instagram Alessio Bonin
Uma embarcação foi encontrada em Gualtieri, na Itália, devido à seca no Rio Pó. Imagem: Reprodução/Instagram Alessio Bonin

04/07/2022 15h21

O mais longo rio da Itália está desaparecendo. Com seus 650 km, o rio Pó vive a mais grave seca em 70 anos e, em alguns locais, deixou de ser um grande braço de água reluzente no verão mediterrâneo para ser uma larga faixa de areia onde é possível caminhar. A falta de água é tão preocupante que a Itália decidiu nesta segunda-feira (4) declarar estado de emergência em cinco regiões.

O mais longo rio da Itália está desaparecendo. Com seus 650 km, o rio Pó vive a mais grave seca em 70 anos e, em alguns locais, deixou de ser um grande braço de água reluzente no verão mediterrâneo para ser uma larga faixa de areia onde é possível caminhar. A falta de água é tão preocupante que a Itália decidiu nesta segunda-feira (4) declarar estado de emergência em cinco regiões.

A seca coloca em risco 30% da produção agrícola do país, de acordo com o maior sindicato de agricultores da Itália, e atinge as fazendas de porco da planície do Pó, onde é produzido o internacionalmente conhecido presunto de Parma.

Em reunião ministerial, foi aprovado o pedido de estado de emergência devido à seca de cinco regiões: Lombardia, Emilia-Romagna, Piemonte, Friuli Venezia Giulia, e Vêneto. A medida permite facilitar a ajuda para agricultores que estão sofrendo com a falta d'água.

Pouca neve, falta de chuva e altas temperaturas

A seca do rio Pó é o ápice de diversas alterações meteorológicas no país, resultado da crise climática que afeta o mundo.

O Pó nasce nos Alpes, alimentado pela água das neves, e atravessa o norte da Itália, passando pelas regiões de Piemonte, Lombardia e Vêneto, até desaguar no mar Adriático. No seu curso, alimenta diversas áreas agrárias instaladas no vale do Pó e hidrelétricas.

Neste ano, no entanto, a Itália registrou 70% menos neve em suas montanhas do que a média esperada, como explica Meuccio Berselli, secretário-geral da Autoridade Distrital do Rio Pó. Os meses seguintes foram também marcados por menos chuva, queda de cerca de 50% em relação à média das últimas três décadas.

E, como terceiro fator, a onda de calor chegou à Itália ainda na primavera, com temperaturas de três a quatro graus acima da média para o período. "A situação é dramática", aponta Berselli.

Imagens capturadas pelo satélite Copernicus Sentinel-2, e publicadas pela ESA (Agência Espacial Europeia) mostram como as margens do rio encolheram entre junho de 2020 e junho de 2022.

O Vale do Pó é a área agrícola mais importante do país, com produção de trigo, arroz e tomate, além de criação de porcos para o presunto de Parma.

Racionamento de água

Para evitar uma crise hídrica, em mais de 200 cidades foram anunciadas medidas de racionamento de água.

Em Verona, cidade de 250 mil habitantes, está proibido até o final de agosto o uso de água potável para "regar hortas, jardins e campos esportivos, bem como para lavar carros e encher piscinas", segundo o decreto municipal. A multa pode chegar a ? 500 (R$ 2.800).

Na cidade de Milão, as fontes da cidade foram esvaziadas e ficarão sem água até o final de setembro, como modo de reduzir o desperdício de água. Os gramados e jardins da cidade também não serão regados neste período.

Produção de energia elétrica caiu

A falta de água no rio Pó também tem afetado a produção de eletricidade nas hidrelétricas da região.

"De janeiro a maio de 2022, a produção hidrelétrica caiu cerca de 40% em comparação com o mesmo período em 2021", de acordo com um porta-voz da Utilitalia, federação de empresas de água.

Diversas usinas não estão operando em sua plena capacidade. Segundo a empresa Enel, uma de suas barragens, a sudeste de Milão, teve de ser fechada indefinidamente por conta dos baixos níveis de água do rio Pó.

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