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Reino Unido eleva taxa de juros em 0,5% com inflação recorde e prevê recessão; libra despenca

04/08/2022 12h56

O Banco da Inglaterra (BoE) anunciou nesta quinta-feira (4) um aumento de 0,5% da taxa a de juros, uma medida drástica para tentar enfrentar a inflação que deve superar 13% em outubro, mês em que, segundo as previsões, o Reino Unido deve entrar em recessão. A crise que deve prosseguir até o fim de 2023. 

O Banco da Inglaterra (BoE) anunciou nesta quinta-feira (4) um aumento de 0,5% da taxa a de juros, uma medida drástica para tentar enfrentar a inflação que deve superar 13% em outubro, mês em que, segundo as previsões, o Reino Unido deve entrar em recessão. A crise que deve prosseguir até o fim de 2023. 

"O Comitê de Política Monetária optou, por 8 votos a 1, por um aumento da taxa básica de 0,5 ponto percentual na taxa de juros britânica, chegando a 1,75%", informa a instituição monetária na ata da reunião, seguindo os passos da Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) e do Banco Central Europeu.

Este é o maior aumento da taxa do BoE desde 1995. A inflação do Reino Unido atingiu 9,4% em ritmo anual em junho, um recorde em 40 anos, alimentando uma crise iminente do custo de vida, principalmente para as famílias britânicas de menor renda.

Com os preços do gás em forte alta desde o início da invasão russa da Ucrânia, o BoE espera que a agência reguladora de energia do Reino Unido, a Ofgem, eleve o limite de preços da energia elétrica para os consumidores em 75% em outubro.

A agência reguladora também anunciou nesta quinta-feira que o teto agora será revisado trimestralmente, e não mais em ritmo semestral, para melhorar a estabilidade do mercado, o que no contexto atual sugere outro aumento doloroso nos preços a partir de janeiro.

O prejuízo para a economia será severo: "Esperamos que a produção se contraia a cada trimestre" entre os últimos três meses de 2022 e os últimos três meses de 2023, adverte o Banco da Inglaterra (BoE).

E "o crescimento após este período permanecerá muito fraco", de acordo com a instituição emissora, que projeta um crescimento de 3,5% em 2022, uma primeira contração do PIB de 1,5% em 2023 e uma segunda de 0,25% em 2024.  

 "A alternativa é pior"

"Tenho simpatia por aqueles que se perguntam por que estamos aumentando as taxas agora e tornando a vida mais difícil", disse o governador do BoE Andrew Bailey em uma conferência, ressaltando que "a inflação sobre o essencial estava atingindo os menos ricos de forma particularmente dura". "Mas a alternativa é pior", insistiu ele.

"Nossa função é evitar que a inflação se instale além de dois ou três anos", como aconteceu nos anos 1970, acrescentou Ben Broadbent, um membro do comitê de política monetária.

De acordo com o BoE, é melhor agir com mais força agora do que ver o ciclo de aperto da política monetária se impor com o tempo. Bailey disse que, para as próximas reuniões, "todas as opções estarão em cima da mesa".

O BOE está seguindo a liderança da Reserva Federal dos EUA e do Banco Central Europeu, que optaram por aumentar as taxas em 0,75 e 0,50 pontos percentuais, respectivamente, em julho.

"O inverno está chegando [no hemisfério norte] e está se formando para ser um horror absoluto para a economia britânica", comentou Laith Khalaf, analista da AJ Bell, julgando que enquanto uma caminhada de 0,50 pontos é histórica, "ela é anã pelas terríveis previsões econômicas do Banco da Inglaterra", com uma recessão "chegando mesmo a tempo do Natal".

A crítica política

O banco central do Reino Unido também indicou que decidirá em setembro se começará a vender ativamente os títulos que possui como parte de seu programa de compra de ativos.

As projeções do BoE são complicadas pela incerteza sobre a invasão russa da Ucrânia e seu efeito sobre o mercado energético europeu, mas também sobre a política no Reino Unido, onde um novo primeiro-ministro deverá ser nomeado pelos conservadores ("tories").

A candidata líder nas pesquisas, Liz Truss, diz que quer mudar o estatuto do BoE para almejar a inflação mais diretamente, mas também está propondo cortes de impostos que os oponentes criticam como sendo suscetíveis de aumentar os preços.

Qualquer política que aumente o empréstimo público "levará a uma alta inflação (...) que tornará todos mais pobres", atacou seu rival Rishi Sunak no Twitter.

A oposição trabalhista vê a situação como "mais uma prova de que os conservadores perderam o controle da economia". "Não vou comentar o que pode acontecer no caso de cortes de impostos", disse Bailey aos repórteres nesta quinta-feira, completando que "um dos pontos fortes do BoE é sua independência".

Enquanto o BoE foi um dos primeiros grandes bancos centrais a aumentar as taxas no final de 2021, alguns economistas acreditam que aumentos a partir de meados do ano passado teriam ajudado a conter a inflação, antes que ela decolasse esse ano.

(Com AFP)