ONG alerta para explosão no número de mortes de migrantes que tentam travessia para a Espanha

De acordo com a ONG Caminando Fronteras, mais de 5.000 migrantes morreram tentando chegar à Espanha, principalmente durante a travessia do Oceano Atlântico, nos primeiros cinco meses do ano - o equivalente a 33 mortes por dia. Mais precisamente, 5.054 pessoas morreram entre 1º de janeiro e 31 de maio, incluindo 154 mulheres e 50 menores de idade. A grande maioria das mortes (4.808) ocorreu na rota para as Ilhas Canárias, no Atlântico.

François Musseau, correspondente da RFI em Madri

Os números são "assustadores", segundo Helena Maleno, fundadora da organização não governamental Caminando Fronteras. Essa ONG vem alertando sobre o agravamento da situação há anos.

Em 2023, um total de 6.618 mortes por afogamento foi registrado entre os migrantes que tentavam chegar à costa espanhola. Mas somente neste ano, no espaço de seis meses, o número subiu para pouco mais de 5.000, apontando para um recorde catastrófico no final de 2024.

Barcos improvisados

A maioria dessas tragédias se concentra na rota atlântica entre a costa oeste da África e o arquipélago espanhol das Canárias, porque a rota mediterrânea do Marrocos ou da Argélia é rigidamente controlada pela Guarda Civil. Esse não é o caso das rotas do sul do Marrocos, da Mauritânia ou do Senegal.

Por outro lado, embarcar em barcos improvisados em distâncias de até 1.500 quilômetros e com fortes correntes marítimas é extremamente perigoso, o que explica o número muito alto de mortes no mar.

A situação é ainda mais dramática porque a taxa de migração vem aumentando constantemente. Houve 20.854 chegadas no final de maio de 2024, em comparação com 8.812 no mesmo período do ano passado.

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