Senegal impõe uso de máscaras e testes de Covid-19 a peregrinos, após mortes em Meca

As autoridades senegalesas implementaram, nesta segunda-feira (24) testes voluntários de Covid-19 e reimpuseram o uso de máscaras aos peregrinos muçulmanos no aeroporto internacional, após a morte de muitos fiéis em Meca. 

 

As autoridades do país suspeitam que várias mortes de peregrinos foram causadas por uma síndrome respiratória como a Covid-19, disse o ministro da Saúde, Ibrahima Sy, no domingo (23), durante uma visita ao Aeroporto Internacional de Diamniadio.

O ministro disse que inicialmente pensaram que as mortes em Meca "estavam ligadas a ondas de calor porque a temperatura estava excessivamente alta, mas percebemos que há uma síndrome respiratória relacionada às morte", disse ele, a veículos de comunicação do senegaleses.

"Dissemos a nós mesmos que, provavelmente, há uma epidemia respiratória", acrescentou.

O Ministério da Saúde indicou, num comunicado divulgado segunda-feira, que "reforçou o sistema de vigilância sanitária nas fronteiras aéreas", e deslocou para o aeroporto uma equipe responsável por oferecer testes voluntários de rastreio e identificar peregrinos que apresentem doenças semelhantes à gripe.

Dos 124 testes de diagnóstico rápido, 78 foram positivos para o vírus Covid-19, incluindo 36 posteriormente confirmados por testes PCR, técnica de referência para detecção da infecção, informou o ministério.

"Não há necessidade de se alarmar, mas também há necessidade de prevenção", disse o ministro no domingo.

A Arábia Saudita disse no domingo que 1.301 pessoas morreram durante o hajj, a tradicional peregrinação a Meca. A agência de notícias oficial SPA citou o fato de muitos fiéis terem realizado a grande peregrinação anual muçulmana sem autorização e percorrido longas distâncias sob um calor escaldante e sem acompanhamento adequado, como razão para as mortes. 

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Sem criar pânico

O jornal l'Observateur relatou cinco mortes entre peregrinos senegaleses. Cerca de 12 mil cidadão do Senegal foram oficialmente registrados para realizar o hajj. A volta estava marcada para começar no da semana passada, mas muito devem regressar no final de junho ou início de julho.

O ministério "pede à população que esteja vigilante" e recomenda que os senegaleses próximos das pessoas infectadas renunciem às celebrações que tradicionalmente dão lugar na volta dos peregrinos.

Charles Bernard Sagna, médico-chefe do serviço de controle sanitário do aeroporto, explicou à AFP que o alerta foi dado quando a equipe médica senegalesa baseada em Jeddah relatou "um número significativo de doenças respiratórias".

"Desde o fim (da emergência sanitária internacional da) Covid, a doença permanece endêmica no Senegal, em baixa intensidade. A nossa preocupação é evitar sua volta", disse ele.

O médico Abdoulaye Bousso, que liderou as operações de emergência diante da Covid, pediu às pessoas que evitassem pânico. "Evitemos criar uma crise que não existe! Cuidado com a estigmatização dos peregrinos!", escreveu nas redes sociais.

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"Todos os anos, após o hajj, centenas de pessoas regressam de Meca com síndromes respiratórias. Também centenas de pessoas morrem lá todos os anos. Isto continuará a acontecer nos próximos anos", disse ele, destacando a necessidade de rastreio e sensibilização.

(Com AFP)

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