Vitrine para aviação de baixo carbono ou 'aberração ecológica'? Prefeitura de Paris quer barrar autorização de 'táxis voadores'

A criação de uma plataforma flutuante que permite que táxis voadores elétricos decolem e aterrissem no centro de Paris para voos de demonstração gratuitos durante os Jogos Olímpicos foi autorizada na terça-feira (9) pelo governo francês. Embora o experimento seja considerado uma vitrine para a aviação de baixo carbono, ele foi criticado por vários vereadores da cidade de Paris, tanto da maioria quanto da oposição, que o denunciaram como um "projeto absurdo" e uma "aberração ecológica".

A Câmara Municipal de Paris estudará a possibilidade de tomar medidas legais contra o decreto, disse a comitiva da prefeita socialista Anne Hidalgo.

"Esse governo não tem mais legitimidade democrática e continua a contrariar a vontade do Conselho Municipal de Paris", que se opôs a esse projeto "antiecológico" e "muito caro", que "só interessará às pessoas mais ricas", disse David Belliard, conselheiro municipal de mobilidade, à rádio France Bleu Paris.

Os promotores desses táxis voadores, que são apresentados como menores, mais leves e mais silenciosos do que os helicópteros, insistem na possibilidade de usá-los posteriormente - graças a versões maiores - para o transporte médico de emergência, seja de pacientes ou de transplantes.

Em contrapartida, a comitiva de Valérie Pécresse, que preside a região [parisiense] de Île-de-France, reagiu dizendo que "é muito bom que esse experimento possa ser realizado", e que a empresa alemã Volocopter forneceu € 1 milhão em apoio ao projeto.

As Olimpíadas começam na capital francesa em 26 de julho, e o sinal verde do governo francês, publicado no no diário oficial na terça-feira, era esperado há vários meses.

A plataforma autorizada por decreto será localizada em um grande barco no Sena, atracado no Quai d'Austerlitz, no leste de Paris, e "poderá ser operada até 31 de dezembro de 2024, no máximo".

"Levando em conta sua natureza experimental, a ordem limita o horário de funcionamento desse heliponto "entre 8h e 17h" e o número de voos "a dois deslocamentos por hora e 900 voos durante todo o período experimental" até o final do ano.

Corrida pela inovação 

Além da empresa alemã Volocopter, que fabrica o "Volocity", o grupo Aéroports de Paris (ADP) está associado ao projeto, que supostamente incorpora as ambições ecológicas do setor de aviação poluente.

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Essa aeronave de dois lugares, incluindo o assento do piloto, é equipada com baterias que alimentam 18 rotores dispostos em um anel acima da cabine de comando.

O objetivo é aproveitar a vitrine olímpica para demonstrar a viabilidade desse modo de transporte, que deve ligar diferentes locais de decolagem e aterrissagem, conhecidos como "vertiports".

Quatro desses "vertiports" já existem, localizados ao norte da capital, nos aeroportos Paris-Charles-de-Gaulle e Le Bourget, e a oeste, nas comunas de Issy-les-Moulineaux e Saint-Cyr-l'Ecole. Tudo o que faltava era a autorização para um quinto local no centro de Paris.

Os defensores dessas aeronaves terão que se contentar com voos de demonstração gratuitos durante os Jogos Olímpicos, pois não conseguiram obter a certificação da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) a tempo. Eles agora estão esperando a certificação "no outono".

Poluição visual e sonora

O projeto sofreu vários contratempos, incluindo um parecer desfavorável em fevereiro após uma consulta pública.

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Em setembro, a Autoridade Ambiental Francesa determinou que o estudo de impacto para a planejada base experimental de táxis voadores no Sena estava "incompleto", citando a poluição sonora e visual, o consumo de energia e o risco para a segurança dos passageiros e dos parisienses.

Foi no contexto dessa avaliação ambiental que os representantes eleitos da capital emitiram um parecer negativo ao Conselho de Paris sobre a criação dessa plataforma em Austerlitz.

Diante das críticas, a ADP e seus parceiros insistem na "utilidade" dessas aeronaves e na importância de permanecer na corrida pela inovação.

"Não sou fã do táxi voador (...) Mas não quero, em nome de alguma ideologia, que nos privemos desse experimento (...) Essa pode ser a ambulância do futuro", defendeu o ministro dos Transportes de Emmanuel Macron, Patrice Vergriete, em junho.

(Com AFP)

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