Após ordenar evacuação de Gaza com panfletos, Israel prossegue operação e foca em agência da ONU

Depois de espalhar panfletos para ordenar a todos os habitantes que deixassem a cidade de Gaza, Israel deu prosseguimento nesta quinta-feira (11) à ofensiva no território, com intensos combates no norte do enclave. O exército israelense anunciou que a sua operação visava combatentes "integrados na sede da UNRWA", a agência das Nações Unidas para os refugiados palestinos.

Tel Aviv acusa o Hamas de usá-la "como base para lançar ataques". Os confrontos também ocorreram em Tal al-Hawa, no sul da cidade de Gaza, e em Sabra, no oeste.

Milhares de panfletos foram lançados sobre a cidade de Gaza na quarta-feira (10), exortando "todos os presentes" a saírem da localidade. Uma vasta operação israelense iniciada em 27 de junho em Shujaiya, no setor oriental desta cidade - totalmente devastada -, foi encerrada.

O exército israelense anunciou que os militares "completaram a sua missão", o que permitiu o desmantelamento de "oito túneis" e a eliminação de "dezenas de terroristas", bem como a destruição de "bases de combate e edifícios com armadilhas", segundo um comunicado de imprensa.

A ofensiva em Shujaiya foi estendida na segunda-feira (8) aos distritos do centro da cidade de Gaza. O exército apelou para os entre 300 mil e 350 mil residentes para evacuarem a cidade, por meio de corredores de segurança.

Os panfletos alertaram que a localidade continuava sendo "uma zona de combate perigosa". Em janeiro, o exército havia anunciado ter "concluído o desmantelamento da estrutura militar" do Hamas no município.

O porta-voz da Defesa Civil, Mahmud Bassal, afirmou que Shujaiya se tornou "uma cidade fantasma". As novas instruções "só vão agravar o sofrimento em massa das famílias palestinas, muitas das quais foram deslocadas várias vezes", reagiu Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres.

Deslocamentos de civis se repetem

Os últimos combates em Gaza provocaram o deslocamento de 350 mil civis, segundo Philippe Lazzarini, diretor da UNRWA, que afirmou, antes da última chamada de evacuação, que "não há nenhum espaço seguro" no território palestino.

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Um Nimr Al Amal fugiu de Gaza com a família. "É a 12ª vez. Quantas vezes ainda teremos que aguentar? Mil? Onde vamos parar? Não tenho mais energia, não consigo mais", queixou-se.

Os combates também aumentaram no sul do território, onde tanques israelenses entraram no centro de Rafah, segundo testemunhas. Intensos disparos também ocorreram nesta cidade na fronteira com o Egito, onde o Exército executa uma ofensiva terrestre desde 7 de maio.

Retomada de negociações diplomáticas

Depois de meses de esforços diplomáticos sem resultados, novas discussões recomeçaram no Catar, mediador do conflito ao lado dos Estados Unidos e o Egito, para tentar avançar na possibilidade de um cessar-fogo e da libertação dos reféns raptados durante o ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro, que desencadeou a guerra.

Os diretores-gerais do Mossad, David Barnea, e o da CIA, William Burns, chegaram a Doha na quarta-feira. Israel e o grupo Hamas divergem sobre como alcançar uma trégua. O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, reuniu-se em Jerusalém com o coordenador da Casa Branca para o Oriente Médio, Brett McGurk.

Netanyahu reiterou seu compromisso com um acordo de cessar-fogo "desde que as linhas vermelhas de Israel sejam respeitadas". O premiê assegurou em diversas ocasiões que não vai encerrar a guerra antes da destruição do Hamas e da libertação de todos os reféns.

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O funcionário do alto escalão do Hamas Hossam Badran disse hoje à AFP que a intensificação do que chamou de "massacres" israelenses em Gaza reforça as exigências do movimento islamista.

"Pedimos a todo Israel que se una a nós para pressionar, para lembrar a Netanyahu [...] que ele deve assinar um acordo, trazê-los [os reféns] de volta e pôr fim a esta terrível guerra", declarou Ayala Metzger, nora de Yoram Metzger, falecido aos 80 anos enquanto estava em cativeiro, e cujo corpo ainda está em Gaza.

O conflito começou em 7 de outubro, quando comandos islamistas mataram 1.195 pessoas, a maioria civis, e sequestraram 251 no sul de Israel, segundo um levantamento da AFP com base em dados oficiais israelenses. O exército israelense calcula que 116 pessoas permanecem em cativeiro em Gaza, incluindo 42 que estariam mortas.

Com AFP

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