França devolve artefatos indígenas, mas transporte custa R$ 1 mi ao Brasil

Após mais de uma década de batalha, o Museu do Índio, no Rio de Janeiro recebeu na quarta-feira (10) mais de 600 itens indígenas que estavam, de forma irregular, segundo autoridades brasileiras, no Museu de História Natural de Lille, na França.

De acordo com o site do governo Federal, as peças, muitas delas raras e únicas, incluindo objetos sagrados como os usados no Kuarup (ritual de despedida dos mortos na região do Xingu), permaneceram 15 anos no Museu de Lille, cidade a cerca de 200 km de Paris. O conjunto foi inicialmente emprestado pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), mas deveria ter retornado em 2009, segundo o Brasil.

A demora deu início a uma disputa de mais de uma década. A batalha só foi vencida graças à insistência de técnicos do Museu do Índio, além da intervenção do Ministério Público Federal (MPF) e do Itamaraty, segundo comunicado oficial. "É um acervo único (...) Pela data de produção, há indícios de que eles não sejam mais fabricados por estes povos. É um patrimônio cultural do Brasil", disse o coordenador de Patrimônio Cultural do Museu do Índio, Bruno Oliveira Aroni, no comunicado

Discórdia entre Brasil e França

Segundo a Embaixada do Brasil em Paris, o retorno das peças foi possível após um longo processo de negociação envolvendo o Ministério das Relações Exteriores brasileiro, por meio da representação diplomática na capital francesa, do Instituto Guimarães Rosa, e o Ministério dos Povos Indígenas do Brasil.

Em post de rede social, a Embaixada "agradeceu às autoridades francesas por sua cooperação no apoio à restituição dessa coleção etnográfica".

Transportadora especializada levou as mais de 600 peças indígenas de volta ao Brasil na quarta-feira (10)
Transportadora especializada levou as mais de 600 peças indígenas de volta ao Brasil na quarta-feira (10) Imagem: Divulgação

Entretanto, de acordo com um comunicado do governo federal divulgado em junho, "o processo de recuperação desse conjunto é marcado pela protelação dos franceses (...) [que] discordaram ou impuseram dificuldades à devolução. Ao contrário do que previa o contrato, segundo o MPF, o dinheiro do transporte sairá dos cofres do Brasil, já que os europeus se recusaram a pagar. Esse, contudo, foi o único meio de pôr fim à discórdia".

A transportadora especializada custou ao Brasil R$ 1 milhão e o voo foi realizado pela empresa aérea Latam.

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