Ajuda humanitária e estrutura no Haiti melhoraram, diz porta-voz da ONU

Maurício Savarese Do UOL Notícias Em São Paulo

As primeiras lojas estão reabrindo, bancos e o porto da capital começam a funcionar neste fim de semana e a ajuda começa a chegar a áreas antes intocadas. Uma semana após o terremoto que matou dezenas de milhares no Haiti, a crise parou de piorar, afirma Elizabeth Byrs, porta-voz do Gabinete para a Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas, sediado em Lausanne, na Suíça.

Em entrevista ao UOL Notícias, Byrs afirmou que as imagens de violência em Porto Príncipe nos últimos dias "não condizem com o estado geral da cidade" e que "de qualquer maneira tendem a diminuir conforme os estragos forem minimizados ao longo das próximas semanas".

"A situação como um todo está melhorando, a coordenação dos esforços também. Não está perfeito porque é uma operação colossal para um desastre colossal. Mas agora já podemos inclusive cuidar de cidades ao lado da capital e que tinham menos assistência", disse ela. "Estamos cada vez mais perto de termos um quadro mais completo sobre as necessidades."

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Segundo ela, na cidade de Léogâne, perto do epicentro do terremoto de 7 graus na escala Richter, só restaram cerca de 15% das construções em pé. A população do município é estimada em 120 mil pessoas. As cidades de Jacmel, Gressier e Petit-Goave também tiveram metade das suas construções comprometidas.

"As equipes só chegam a esses locais de helicóptero, as estradas estão muito danificadas", disse a porta-voz. "Mas agora estamos chegando e o quadro tende a melhorar principalmente porque os aviões estão chegando não só com alimentos, mas também com combustível para que cheguemos até onde estão as pessoas que mais precisam desse auxílio."

Byrs comemorou o alto número de soterrados que foram salvos mais de uma semana depois do grande terremoto, sucedido de uma série de tremores secundários. Esses abalos menores dificultaram esforços de resgate já complexos na tragédia que matou mais de 100 mil pessoas na terça-feira da última semana.

"Encontraram 121 pessoas vivas, esse é um recorde em operações desse tipo e comemoramos cada uma dessas vidas salvas", afirmou. "Há muitas bolsas de ar sob os escombros e todos ainda estão trabalhando como se fosse o primeiro dia. E assim vai continuar até haver possibilidade de sobreviventes", disse.

Estrutura
De acordo com a porta-voz do gabinete ligado à ONU, a estrutura para atender os prejudicados melhorou também devido ao engajamento maior dos Estados Unidos. "Trabalhamos muito próximos e os americanos conseguiram reestruturar o aeroporto de Porto Príncipe, ajudaram a reconstruir o porto e chegaram de helicóptero a áreas aonde não tínhamos ido por falta de condição", afirmou.

Apesar disso, ela reforçou que "a ONU coordena o trabalho humanitário, enquanto os EUA, um país cheio de recursos, participa das ações conjuntas". Nos últimos dias a mídia internacional registrou discordâncias entre Nações Unidas e EUA e críticas de líderes mundiais ao envio de tropas americanas ao país caribenho.

"Muitas ações americanas estão também na República Dominicana, ajudando os comboios a atravessarem a fronteira", afirmou Byrs. "A ajuda dos EUA, do Brasil e de muitos outros países tem sido importante para reordenar a estrutura do país."

Byrs perdeu amigos que participavam da estabilização do país mais pobre das Américas. Mais de 200 funcionários das Nações Unidas provavelmente morreram no incidente. "Mas a memória deles será guardada. Ainda não tivemos tempo de chorar os nossos amigos, há muito trabalho para fazer e muita ajuda para reconstruir o país em alguns anos. Depois pensaremos nisso", afirmou.



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