Haiti poderá entrar em colapso completo, afirma presidente do país a deputados brasileiros; Préval reclama de "falta de coordenação"

Da Agência Câmara

O presidente do Haiti, René Préval, alertou nesta quarta-feira (3) para uma nova tragédia no país com a morte em massa de milhares de pessoas. Durante encontro com uma missão de deputados brasileiros que está em Porto Príncipe, ele afirmou que, se o país não receber urgentemente 200 mil tendas para abrigar 1 milhão de desabrigados, o país entrará em colapso completo.

"Ele nos contou que, com a chegada do período de chuvas, as pessoas não terão onde se abrigar e uma nova tragédia é iminente", contou o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que coordena a missão parlamentar naquele país do Caribe vitimado por terremotos no mês passado.

Além de Jungmann, participam da missão os deputados Claudio Cajado (DEM-BA), Colbert Martins (PMDB-BA), Janete Pietá (PT-SP) e Emiliano José (PT-BA). Os parlamentares foram ao país em vôo da FAB. As despesas serão custeadas pelos próprios deputados, que retornam ao Brasil nesta quinta-feira.

O presidente Préval reclamou também do que chamou de "falta de coordenação" das ações humanitárias no país. A ajuda estaria chegando somente a Porto Príncipe, mas cerca de meio milhão de pessoas migraram para outras províncias devido à destruição completa da capital abalada pelo terremoto. Como a ajuda não estaria chegando até essas pessoas, elas podem morrer por falta de alimentos e de atendimento médico.

No encontro, Préval defendeu ainda a proposta feita pelo presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, de criação de um fundo único de ajuda que seria controlado pelo estado haitiano, sob a supervisão do Bird. Na opinião dele isso resolveria o problema de falta de coordenação.

“Hoje, com cada entidade ou país atuando por conta própria, muitas pessoas estão ficando sem ajuda", relatou o deputado. Na conversa, o presidente agradeceu a ajuda humanitária do Brasil, mas cobrou uma definição sobre um repasse de R$ 1 bilhão que teria sido prometido ao país.

Sem coordenação
Os deputados também se reuniram com o presidente do congresso haitiano, Lucian Coeur, que também reclamou da falta de coordenação na ajuda humanitária. Segundo o parlamentar haitiano, a ajuda chega a um grupo e a outros não.

Já o representante da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti, Edmond Mulet, avaliou que a reconstrução do país vai durar de 40 a 50 anos. "O Haiti já sofreu oito intervenções (estrangeiras) e precisa de uma reconstrução para valer", defendeu Mulet, no encontro com os parlamentares brasileiros.

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