Médicos enfrentam novo fluxo de feridos no Haiti

Da AFP

Quase um mês depois do terremoto, as equipes médicas mobilizadas em Porto Príncipe estão lidando com uma nova onda de pacientes, com ferimentos menos aparentes, mas também ligados à catástrofe.

Anne Setoute, 53 anos, não dorme há três dias devido a uma dor nas costas que a impede de respirar. Algo caiu em suas costas no dia 12 de janeiro.

Sua casa desabou no terremoto, e ela mora na rua. No entanto, veio ao hospital de carro, com a filha. "Ouvimos falar dos médicos franceses, e vim para receber um curativo", declarou.

Ao lado dela, Jean-Baptiste André, 55 anos, também está no hospital pela primeira vez. Ele não foi ferido no terremoto, mas "meus dois pés estão quentes, e sinto uma dor aqui", explicou, mostrando o estômago.

"A primeira onda de feridos veio com traumatismos, fraturas e queimaduras. Desde a semana passada, voltamos a uma medicina mais clássica", comentou Christian Riello, médico-tenente responsável pela unidade da segurança civil no hospital de Diquini, em Carrefour, na periferia oeste de Porto Príncipe.

Hoje, além dos partos, as equipes médicas tratam "muitos bebês que vivem em condições de higiene precárias".

A notícia da presença de uma equipe médica internacional em um bairro se alastra muito rapidamente pelas ruas, e longas filas não demoram para se formar.

Os feridos atendidos nos primeiros dias depois da tragédia vêm trocar os curativos. Muitos se instalaram nos jardins dos hospitais, sob as tendas dos "serviços pós-operatórios". Algumas vítimas que foram atendidas de emergência voltam para verificar a evolução do ferimento.

Ainda há alguns feridos graves, que demoraram para vir ao hospital por não terem como chegar à capital por seus próprios meios, mas eles são cada vez mais raros.

"O problema mais sério que temos agora são as infecções, principalmente ligadas à falta de higiene", ou a ferimentos que não cicatrizaram, explicou Danielle Laporte Chastes, 23 anos, enfermeira na República Dominicana que se tornou a coordenadora adjunta de um hospital móvel instalado em uma zona industrial de Porto Príncipe.

Nenhuma epidemia de grandes proporções foi detectada até agora.

Outras novidades são as dores de barriga ou nas costas, decorrentes de uma somatização da ansiedade provocada pela catástrofe e pelos múltiplos tremores secundários que seguiram. "A primeira equipe de psicólogos cuidou principalmente dos socorristas", admitiu Damien Deluz, psicólogo da segurança civil.

Neste tipo de tragédia, "a fase de choque inicial é seguida por uma etapa de estresse pós-traumático, quando a pressão começa a cair", explicou Deluz à AFP.

Em Diquini, pacientes com braços e pernas enfaixadas se amontoam em um caminhão. "Fiquei sabendo há uma hora que um cirurgião especialista em enxertos de pele estaria no hospital de Canapé Vert hoje à noite e amanhã, então, estou enviando o maior número possível de pessoas para lá. Esta á chance da vida deles", disse Riello.

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