Haiti promove dia de luto para lembrar um mês do terremoto

Da AFP

Esta sexta-feira é dia nacional de luto no Haiti, em memória das 217.000 vítimas do terremoto que devastou o país há exatamente um mês, no momento em que se aproxima a temporada de chuvas e de furacões, causando temor em um milhão de pessoas desabrigadas.

Uma cerimônia deverá ser realizada no coração da capital, Porto Príncipe, próximo ao Palácio Nacional da Presidência, em ruínas, e à Praça Champ de Mars, transformada em um grande campo repleto de barracas para os sobreviventes que não têm nada e vivem na rua. O número total de desabrigados é estimado em cerca de 1,2 milhão.

O governo anunciou que pretendia instalar telas gigantes em algumas áreas da cidade para que os desabrigados possam acompanhar a cerimônia e prestar homenagem aos mortos, e pediu que todos se vistam de preto e branco.

Na quinta-feira, uma pesada chuva tropical, a primeira desde o tremor de terra de magnitude 7, complicou ainda mais a vida das pessoas que buscavam refúgio sob cobertores e tábuas.

A probabilidade de que um ou vários furacões mais fortes atinjam o Caribe é maior neste ano do que normalmente, advertiram os meteorologistas americanos, ressaltando a vulnerabilidade do Haiti.

A temporada de furacões, que dura de 1º de junho a 30 de novembro, "será mais intensa do que o normal", explicou William Gray, da Universidade do Colorado (oeste dos Estados Unidos).

Mas os haitianos devem antes enfrentar a estação das chuvas.

"O pior está diante de nós no Haiti", considerou o presidente da Cruz Vermelha Francesa (CRF) Jean-François Mattei, segundo o qual um "segundo drama se aproxima" com a chegada da temporada de chuvas dentro de seis semanas, com precipitações torrenciais, inundações e deslizamentos de terra.

"Com a chuva que favorece a propagação de doenças, a situação vai se tornar cada vez mais complicada", disse Richard Kowalske, médico da associação americana Helping Hands. "Esta noite, vimos muitas crianças com muito frio. Poderá haver mais casos de malária ou de febre tifóide".

Na Praça Champ de Mars, Démosthène Wisler, de 23 anos, mostrava na quinta-feira o seu refúgio: pedaços de madeira cobertos de panos em um terreno enlameado. "Ficamos todos molhados. Fui acordado e não consegui mais dormir", explicou à AFP depois de ter participado de uma manifestação para exigir tendas das autoridades.

Cerca de 50.000 famílias, ou seja, cerca de 272.000 pessoas, receberam até o momento materiais para que elas mesmas fabricassem uma casa improvisada, segundo a Agência de Coordenação da Ajuda Humanitária da ONU (Ocha).

Os dirigentes da UE, reunidos em Bruxelas, apoiaram na quinta-feira o lançamento de uma operação de assistência militar europeia para fornecer barracas aos desabrigados.

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